Jornalista transforma experiência com burnout em livro sobre saúde e pausas

Jornalista transforma experiência com burnout em livro sobre saúde e pausas
A jornalista Bruna Bârbosa lança livro em que combina pesquisas sobre micropausas com exercícios de respiração e atenção que podem ser incorporados à rotina: a proposta não é resolver o esgotamento em poucos minutos, mas criar um intervalo para reconhecer o que acontece no corpo antes de decidir o próximo passo - Arquivo Pessoal

Trabalho constante, dedicação absoluta e anulação de si mesmo durante anos. Um dia, o corpo cobra a conta e essa fatura sai caro. Foi o que aconteceu com a jornalista Bruna Bârbosa há 15 anos, quando perdeu a visão durante um dia de trabalho. Diagnóstico: esgotamento.

Em vez de voltar àquela rotina, Bruna reagiu, passou a estudar o tema e hoje compartilha o que aprendeu com quem vive algo semelhante em seu primeiro livro “3 Minutos de Pausa: A ciência e a prática das micropausas para quem vive no limite”, já disponível em formato de e-book pela Amazon. Segundo a autora, até o final deste mês, a obra também estará disponível em formato físico.

“No livro, escrevo: ‘O corpo escreve tudo. Só não escreve em palavras.’ Às vezes, os sinais parecem pequenos ou fáceis de justificar, mas merecem atenção. A experiência me fez perceber que aquele momento não tinha começado ali: antes, já havia cansaço persistente, tensão e uma pressa interna que eu não estava escutando”, conta.

“Fico feliz e honrada em dizer que o livro tem prefácio da neurocientista britânica Dra. Tamara Russell, PhD em Psicologia Clínica, docente no King’s College, no Reino Unido, e diretora do Mindfulness Centre of Excellence”, completa.

TRÊS MINUTOS

Segundo Bruna, três minutos é um tempo possível de encontrar na vida real. “Não exige um ambiente especial, um aplicativo ou uma longa preparação. A ideia não é dizer que três minutos resolvem o esgotamento ou mudam tudo de uma vez, mas que podem ser um começo concreto para interromper o piloto automático”, pontua

No livro, Bruna apresenta pesquisas que indicam efeitos positivos de pausas breves no bem-estar, na fadiga e no desempenho cognitivo. “Também explico que, no Body in Mind Training, desacelerar o corpo e prestar atenção ao movimento ou à respiração são formas de treinar a atenção e a autorregulação. Cada pessoa pode viver esse intervalo de um jeito; não há garantia de que vá se sentir calma imediatamente”, conta.

“Para mim, a pausa importa porque cria um intervalo entre o estímulo e a resposta. A liberdade de escolha está nesse espaço — e o espaço só existe onde existe uma pausa. Como escrevo no livro: ‘O descanso não é a recompensa. É o mecanismo’”, completa.

RESPIRAÇÃO

De acordo com Bruna, nesses três minutos é possível fazer práticas meditativas, como observar a respiração, sem tentar fazê-la ficar perfeita. “A pessoa pode se sentar com os pés apoiados no chão e as mãos sobre as coxas. Pode fechar os olhos ou apenas suavizar o olhar. Se for confortável, pode inspirar contando até quatro e expirar contando até seis. Se contar ou acompanhar a respiração não for agradável, basta respirar naturalmente e perceber as sensações do corpo”, explica.

Para a autora, o foco é não desistir diante de distrações que podem ocorrer. “A pessoa pode notar que se distraiu e voltar à respiração, sem se criticar. Uma frase importante do livro é: ‘A prática não é não desviar. A prática é perceber que desviou e voltar. O retorno é o exercício.’ Não é preciso alcançar um estado específico. A proposta é apenas estar presente por alguns instantes”, ressalta.

Necessidade de presença

 

Para quem vive uma rotina corrida e pensa “eu não tenho nem três minutos”, Bruna recomenda não esperar encontrar um momento perfeito nem criar uma nova rotina.

“A pausa pode caber em situações que já existem no dia. Na fila do supermercado, por exemplo, a pessoa pode notar como está o corpo e movimentar o pescoço suavemente de um lado para o outro, prestando atenção às sensações. Antes de uma reunião, pode observar por alguns instantes a própria respiração e perceber como está chegando àquele encontro”, conta.

A autora ressalta que não é preciso fazer tudo mudar. É possível começar apenas voltando a atenção para o corpo. “Como escrevo no livro: ‘Você não precisa de mais tempo. Precisa de presença.’ E também acredito que a liberdade de escolha está no espaço que criamos antes de agir — e esse espaço começa com uma pausa”, completa.

Para alguém que está cansado, sobrecarregado e sentindo que está vivendo no automático, Bruna recomenda começar com uma pergunta simples, sem cobrança. “Comece com ‘Como estou agora?’ Depois, tente notar alguma coisa concreta: como está a respiração, onde há tensão no corpo ou o que estou sentindo neste momento. Não para consertar tudo de imediato, mas para reconhecer o que está acontecendo. Se couber, a pessoa pode experimentar uma pausa de três minutos ou escolher um pequeno momento do dia para não responder automaticamente”, ensina.

“A pausa não elimina os problemas, mas pode abrir espaço para percebê-los e decidir o próximo passo com um pouco mais de intenção. A liberdade de escolha está no espaço — e esse espaço só existe onde existe uma pausa”, conclui Bruna.