Copom reduz Selic para 14,25?ita incertezas externas e inflação

Copom reduz Selic para 14,25?ita incertezas externas e inflação
Fachada do prédio do Banco Central em Brasília - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, para 14,25% ao ano, em um movimento que busca equilibrar o combate à inflação com os sinais de desaceleração da atividade econômica observados ao longo de 2026.

A decisão ocorre em um ambiente marcado por elevada incerteza internacional. No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central destacou que os conflitos no Oriente Médio e a indefinição sobre um eventual acordo para encerrar os confrontos continuam pressionando os mercados globais, ampliando a volatilidade de ativos financeiros e commodities e exigindo cautela por parte das economias emergentes.

No cenário doméstico, o Copom avaliou que a economia brasileira apresentou aceleração no primeiro trimestre do ano, impulsionada principalmente pelos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. O mercado de trabalho também segue mostrando resiliência. Ao mesmo tempo, o Banco Central observou que os índices de inflação e suas medidas subjacentes continuam avançando e permanecem acima da meta estabelecida.

As expectativas do mercado financeiro para a inflação seguem pressionadas. Segundo a pesquisa Focus, utilizada pelo Banco Central, a projeção para 2026 está em 5,30%, enquanto para 2027 é de 4,10%, ambas acima da meta oficial. Já a estimativa do próprio Copom para o quarto trimestre de 2027 — atualmente considerado o horizonte relevante para a política monetária — é de 3,7%.

O comunicado destaca que os riscos inflacionários continuam acima do padrão histórico. Entre os fatores de preocupação estão a persistência de expectativas desancoradas, possíveis impactos dos preços do petróleo, efeitos climáticos sobre a produção agrícola, pressões no setor de serviços e eventuais estímulos à demanda que mantenham a atividade econômica acima do potencial da economia.

Por outro lado, o Banco Central também considera riscos de baixa para a inflação, como uma desaceleração mais intensa da economia brasileira, um enfraquecimento da atividade global ou uma queda mais significativa nos preços das commodities.

Apesar da recuperação observada em alguns indicadores econômicos no início do ano, a autoridade monetária avalia que a economia segue em trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, refletindo os efeitos do longo período de juros elevados.

Segundo o Copom, a manutenção da Selic em patamar restritivo nos últimos meses já produziu evidências de transmissão da política monetária para a atividade econômica. Ainda assim, o comitê ressaltou que a inflação continua distante da meta e que as projeções permanecem cercadas por elevado grau de incerteza.

No documento, os diretores do Banco Central afirmam que diferentes trajetórias para os juros ainda podem ser compatíveis com a convergência da inflação à meta, mas ressaltam que futuras decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos e das expectativas inflacionárias.

Ao justificar a redução da taxa básica para 14,25% ao ano, o Copom afirmou que a medida busca assegurar a convergência da inflação para a meta ao mesmo tempo em que contribui para suavizar oscilações da atividade econômica e favorecer a manutenção do emprego.

A decisão foi unânime entre os membros do comitê, presidido por Gabriel Galípolo. O Banco Central reforçou que continuará adotando uma postura de cautela diante do cenário de incertezas domésticas e internacionais.