Ato da Câmara de Rio Preto torna obrigatório plano preliminar para emendas impositivas

Ato da Câmara de Rio Preto torna obrigatório plano preliminar para emendas impositivas
Vereadores de Rio Preto durante sessão - Divulgação/Câmara de Rio Preto

A Câmara de Rio Preto criou uma regra para destinação de emendas impositivas. O ato da Mesa Diretora da Casa foi publicado no diário oficial do município e torna obrigatória a apresentação de um Plano Preliminar de Trabalho e Aplicação de Recursos para que os vereadores possam protocolar suas emendas.

O documento é assinado pelo presidente da Câmara, Luciano Julião (PL), pelo vice, Paulo Pauléra (PP), além de Jonathan Santos (Republicanos), Abner Tofanelli (PSB) e Márcia Caldas (PL).

O ato afirma que o plano preliminar tem como objetivo ampliar a qualidade das informações que acompanham as propostas, subsidiar a análise técnica dos órgãos competentes e fortalecer os mecanismos de controle interno e externo.

A publicação cita que a medida atende às determinações do Supremo Tribunal Federal (STF), em ação que trata sobre emendas, além de regras editadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). As medidas buscam garantir transparência, rastreabilidade e controle sobre as emendas parlamentares.

O documento tem um formulário criado pela Câmara com uma série de informações sobre cada emenda, como identificação do vereador proponente, valor destinado, a secretaria responsável pela execução, área de governo beneficiada e natureza da despesa, além da identificação do beneficiário, seja um órgão da administração municipal ou uma entidade do terceiro setor.

Em outro tópico, o formulário exige a apresentação de um “diagnóstico da necessidade pública, descrição do objeto da emenda, justificativa, metas, resultados esperados, público beneficiado, cronograma de execução e estimativa de custos”. No caso de recursos destinados a obras, por exemplo, o documento exige projeto básico para o protocolo da emenda.

O documento também estabelece que, quando os recursos forem destinados para entidades, deverão ser apresentados dados sobre regularidade fiscal e trabalhista.

O presidente da Câmara em exercício, Paulo Pauléra, afirmou que o modelo segue as orientações dos órgãos de controle. " Temos de seguir todas as orientações do Tribunal de Contas do Estado. Tem a questão Lá do Supremo também, o entendimento ministro Flávio Dino, de forma geral sobre as emendas parlamentares e tamos de ter transparência", afirmou.

O ato da Mesa também estabelece que representantes de entidades devem declarar que não mantêm nem manterão “durante a execução do objeto financiado pela presente emenda parlamentar, em seus quadros diretivos, administrativos ou de gestão, cônjuge, companheiro ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, do parlamentar autor da emenda ou de sua assessoria”. Regramento desse tipo já está previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias para o ano que vem.

Emendas
Neste ano, as 435 emendas impositivas incluídas ao Orçamento da Prefeitura de Rio Preto pelos 23 vereadores totalizam R$ 42,9 milhões. Os pagamentos das emendas impositivas são realizados pelo Executivo ao longo do ano. A lei prevê que 1,55% do valor da receita corrente líquida do ano anterior deve ser destinado às emendas. O projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 ainda será encaminhado à Câmara.

MP
O Tribunal de Contas do Estado notificou a Câmara recentemente para que apresente dados sobre as emendas parlamentares. Além disso, o Ministério Público de Rio Preto tem em aberto um acompanhamento da legalidade da destinação de recursos. O promotor Carlos Romani solicitou à Câmara o detalhamento das ações. Pauléra afirmou que dados que forem repassados ao TCE também serão enviados ao MP no prazo estabelecido.