Com exoneração de 3 apadrinhados, Coronel Fábio manda recado a ‘aliados’ na Câmara

Com exoneração de 3 apadrinhados, Coronel Fábio manda recado a ‘aliados’ na Câmara
Vereadores em Plenário durante sessão que derrubou projeto do prefeito que previa transferência de recursos para Saúde para outras cinco secretarias - Divulgação/Câmara de Rio Preto

Coronel Fábio Candido (PL) não perdeu tempo. Um dia depois de sofrer uma derrota retumbante na Câmara, que derrubou projeto do Executivo prevendo o remanejamento de R$ 35,8 milhões do orçamento municipal, o prefeito de Rio Preto mandou aquele tipo de recado inequívoco aos “aliados” que votaram contra os interesses do governo.

Já na edição do diário oficial do município de quarta-feira, 16, brotou a exoneração de três funcionários de livre nomeação, ou seja, comissionados: Claudinei Ribeiro, que estava lotado na Secretaria do Meio Ambiente; Sandro José Falico, que ocupava cargo na pasta de Meio Ambiente; e Fernando Henrique de Oliveira, acomodado em Serviços Gerais.

Todos os três eram apadrinhados do vereador Jorge Menezes (PSD), que até pouco tempo atrás respondia pela Habitação e deixou o comando da secretaria quando foi obrigado a voltar ao Legislativo por determinação do partido. Outro apadrinhado dele, Ailton Catelan Júnior, comanda hoje a pasta como interino.

Daí que, durante todo o dia de ontem (quarta, 16), cogitou-se que Catelan tinha subido no telhado da Habitação, caso o governo decidisse ir mais fundo no “castigo” a Menezes. A investida contra o vereador foi lida pelos demais parlamentares, especialmente da base aliada, como uma “medida de caráter exemplar” aos demais. Uma estratégia que o Coronel já adotou outras vezes, como quando aliados votaram contra o aumento do IPTU e tiveram apadrinhados demitidos em série.

Mais do que a votação da legalidade do projeto, que tirava quase a totalidade dos recursos redistribuídos – R$ 32 milhões – da Secretaria da Saúde para equalizar os cofres de outras cinco pastas, o que mais tirou o Coronel do sério foi a “rasteira” que levou dos considerados aliados.

Isso porque, na segunda-feira, 14, um dia antes da sessão que votou o projeto do Executivo, o governo já sabia que não teria os votos necessários para aprová-lo e acordou com a base a aprovação de um pedido de vista, apresentado pelo vereador Jean Dornelas (MDB), que adiaria a votação.

Acontece que, ao longo da votação, ao menos duas surpresas deixaram o governo sem os votos necessários para evitar que o projeto fosse arquivado: primeiro foi o voto de Bruno Moura (PL). Com placar do pedido de vista empatado e cabendo ao presidente da Casa, Luciano Julião (PL), o desempate, o núcleo duro do governo respirou aliviado. Mas eis que este desempatou para o outro lado. Com isso, a proposta foi a Plenário e outra derrota se impôs, com 15 votos contrários.

BRAVO 1

Ouvido pela Coluna nesta quarta-feira, 16, o vereador Jorge Menezes (PSD), que votou contra a vista e contra o projeto, deixou clara sua insatisfação e a convicção pessoal de que estava sendo punido a título de lição para os colegas. “Quiseram dar um recado. Os meninos são trabalhadores, cumpridores de horários, não tem outra justificativa”, afirmou Menezes.

BRAVO 2

Ele afirmou que já na reunião de segunda-feira teria deixado o governo incomodado quando demonstrou sua discordância com o projeto de remanejamento dos recursos. “Eu questionei o projeto, disse que podia ser feito por decreto em vez de jogar a bomba para o colo dos vereadores e saí de lá (da conversa com o governo) deixando claro que não votaria contra a Saúde, porque sou um vereador que defende a saúde pública”, completou o vereador.

ÀS CLARAS...

Se o recado via Jorge Menezes foi claro e direto, nos bastidores outra conclusão no entorno do Coronel sobre a derrota do projeto do Executivo na Câmara alimentou um incômodo recorrente, mas nunca assumido publicamente: para o grupo, o voto decisivo de Luciano Julião contrário ao pedido de vista, ou seja, contra o Executivo, tem todas as digitais do vice-prefeito e secretário de Obras, Fábio Marcondes (PL).

NOS BASTIDORES

Sempre que esse desconforto na relação do prefeito com o vice vem à tona, o Coronel aparece com afagos públicos a Marcondes, com óbvio objetivo de minimizar potenciais estragos, um jogo de aparências que deve se repetir agora. O que não descarta, porém, a convicção da ala “coronelista” de que Julião rasgou a fantasia em Plenário na terça, expondo a face da ala “marcondista” - duas forças que atuam, nem sempre no mesmo sentido, dentro do atual governo.

CONSELHO...

O projeto do Coronel que previa a retirada de R$ 32 milhões da Secretaria de Saúde também foi questionado, sem alarde, pelo Conselho Municipal de Saúde. O colegiado, presidido por Fernando Araújo, encaminhou à Câmara manifestação sobre a proposta. Mais que isso, também protocolou representação no Ministério Público, na qual questionou a legalidade da iniciativa. O questionamento chegou ao promotor Sérgio Clementino nesta quarta-feira, 16. Como o projeto foi rejeitado, a representação foi arquivada.

QUE TIRO...

O promotor Carlos Romani deu prazo de 20 dias para que o prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), se manifeste sobre representação que questiona licitação do município para aquisição de um estande de tiro virtual destinado a treinamentos da Guarda Civil Municipal (GCM). Autor da provocação ao MP, o vereador Alexandre Montenegro (PL) coloca em xeque o contrato, viabilizado por meio de emenda do deputado federal Paulo Bilynskyj (PL).

... FOI ESSE?

Montenegro afirma que é sempre a mesma empresa que vence concorrências do tipo com recursos garantidos pelo deputado federal. A assessoria de Bilynskyj afirma que apenas faz a indicação do dinheiro e que a contratação fica a cargo do município. O governo do Coronel Fábio Candido afirmou nesta terça, 15, por meio de sua assessoria, que “o município vai aguardar o pedido e encaminhar as informações e documentos comprovando a legalidade dos atos praticados, oportunamente.”

PRESIDENCIÁVEL

Candidato à Presidência da República pelo PCB, Edmilson Costa cumpre agenda de campanha em Rio Preto nesta quinta-feira, 17. O presidenciável vem acompanhado do postulante ao governo de São Paulo pela legenda, Carlos Machado, e também por Petter Maahs, que pleiteia cadeira no Senado.

Amnésia, senhores?

 

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Amnésia, senhores? - Reprodução/Redes Sociais

Em campanha eleitoral, os ex-prefeitos de Rio Preto Edinho Araújo (PRD), que tenta cadeira na Câmara Federal, e Valdomiro Lopes (PSB), atual deputado estadual que busca a reeleição, estão passando por um “surto de amnésia”. É o que indicam as respectivas manifestações dos dois em relação à impopular disposição do governo do Coronel Fábio Candido (PL) de reduzir drasticamente o valor do convênio com a ARCD (Associação de Reabilitação da Criança Deficiente), o que colocaria em risco o trabalho que realiza 1.840 atendimentos por mês. Um dia após a tensão entre a entidade e a Secretaria da Saúde se tornar pública, Edinho emitiu uma nota: “A situação merece atenção e transparência por parte da administração municipal, especialmente porque estamos falando de um serviço essencial de saúde. A ARCD tem uma história de trabalho e atendimento à população que precisa ser preservada”, diz trecho do texto do perredista. Valdomiro, por sua vez, foi às redes sociais comemorar a recusa, pela Câmara, do projeto que remanejava R$ 32 milhões da Saúde para outras cinco pastas e também surfou no assunto: “Rio Preto precisa de mais médicos para as nossas UPAs, mais exames e também precisa refazer o convênio com a ARCD, que atende os deficientes”, declarou o pessebista. Beleza. O que eles não dizem é que ambos, em seus governos, também tentaram reduzir os repasses à entidade. Valdomiro em sua primeira gestão como prefeito de Rio Preto. Edinho, em sua terceira gestão, quando o então secretário da Saúde, Aldenis Borim, lançou a decisão. Nos dois casos, houve recuo em função da pressão da Câmara e de lideranças da sociedade civil.