Construção prevê qualificar 600 trabalhadores em Rio Preto
A falta de mão de obra qualificada tem pressionado custos e prazos da construção civil em Rio Preto. Para tentar reduzir o déficit, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) pretende capacitar pelo menos 600 trabalhadores na cidade nos próximos três anos, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Segundo o diretor regional do SindusCon-SP, Rafael Luiz Coelho, a escassez alcança empresas de diferentes portes e já interfere no planejamento dos empreendimentos.
“Rio Preto tem uma representatividade significativa no cenário nacional, com um mercado muito grande e em constante crescimento. Essa falta generalizada de mão de obra especializada afeta todo o setor, a economia das empresas e também os prazos de entrega das obras”, afirmou.
De acordo com Coelho, além da dificuldade de contratação, as empresas enfrentam problemas para repor profissionais que deixam os postos de trabalho. A oferta de salários melhores também tem provocado movimentação entre construtoras, aumentando a disputa por trabalhadores já qualificados.
“A falta de mão de obra atingiu todas as empresas de forma indistinta. Observamos muitas obras em atraso porque as empresas não conseguem contratar trabalhadores. Quando um profissional sai, muitas vezes não é substituído. Às vezes, ele é atraído por uma proposta melhor e deixa uma empresa desfalcada, que acaba tentando contratar alguém de outra. Estamos em uma situação preocupante”, disse.
Entre as funções com maior demanda estão pedreiros especializados em acabamento, carpinteiros, encarregados e mestres de obras. A escassez é mais acentuada em atividades que dependem de experiência, formação técnica e capacidade de coordenação de equipes.
“As funções que exigem maior especialização são as mais afetadas. Faltam pedreiros de acabamento, mestres de obras, encarregados e, principalmente, carpinteiros. Há poucas pessoas interessadas na formação para essa atividade”, explicou o diretor.
A dificuldade também aparece nos canteiros das construtoras. A EMais Urbanismo, que possui cerca de 250 colaboradores diretos, além de trabalhadores terceirizados, encontra obstáculos para contratar profissionais qualificados para atividades de campo.
Segundo a coordenadora de gestão da empresa, Janaína Andrade Oliveira, a iniciativa de capacitação pode ampliar a oferta de trabalhadores e facilitar a entrada de novos profissionais no setor.
“Para nós, a proposta é muito importante e positiva, porque entendemos que essa trilha abrirá as portas para a população se capacitar e conseguir trabalhar na construção civil. Isso facilitará a contratação de pessoas qualificadas para atender às nossas obras”, afirmou.
Parte das atividades de campo da EMais é executada atualmente por profissionais terceirizados. De acordo com Janaína, carpintaria e alvenaria estão entre as áreas em que a empresa encontra maior dificuldade de contratação.
“Hoje, temos contato direto com a falta de profissionais, principalmente nas áreas de carpintaria e de pedreiro. São funções para as quais precisamos de capacitação e temos dificuldade de contratar trabalhadores para executar as atividades no campo”, disse.

Redação 



