Turismo rural atrai visitante e amplia renda dos produtores

Turismo rural atrai visitante e amplia renda dos produtores
Conhecer uma plantação de morango é uma das opções de turismo rural - Wenderson Araújo/Trilux

 Na rotina cada vez mais digital das famílias, a tendência em conhecer de perto a produção de alimentos e bebidas vem movimentando o turismo rural no Noroeste paulista. Neste ano, a colheita de uvas e de morangos impulsionou a renda para os produtores e garantiu um passeio diferente para o público interessado em colher frutas no pé e apreciar vinhos fabricados na região.

Em Urânia, na região de Jales, a colheita de morangos tem atraído turistas do estado de São Paulo e de outros estados, sempre a partir do segundo semestre do ano. Além das férias escolares de julho, o proprietário do sítio “Morangos Urânia”, Bruno Preto, conta que os feriados também são escolhidos para a visita na roça, com a oportunidade para quem prefere colher a fruta e selecionar os moranguinhos ainda frescos.

“A nossa família foi pioneira no plantio de morango numa região muito seca para o plantio da fruta, que se desenvolve melhor em clima ameno. Foi por isso que resolvemos abrir o sítio para o turismo e agregar renda à produção”, ressaltou Bruno.

Ele explicou ainda que a safra deste ano teve muito desequilíbrio climático para a plantação do morango. “Tivemos que abrir a temporada, especialmente neste ano, em agosto, e esperamos ter frutos para o turista participar da colheita, neste sistema de pague e leve, até o mês de outubro.” Apesar das variedades de morango adaptadas para o clima quente da região, Bruno comenta que, neste ano, as chuvas foram intensas, o que atrasou um pouco a safra.

No entanto, o produtor destaca que essas adversidades com o clima não prejudicaram a qualidade do morango. “O fruto está muito doce, apenas não temos um tamanho muito grande, mas sempre buscamos variedades que se adaptam às temperaturas quentes”.

Uvas

Na rota do turismo rural em Urânia, a colheita de uva é outra opção para um passeio no campo. Na propriedade de Weber Boraschi, no “Vale das Vitórias”, o visitante poderá colher a uva no parreiral e conhecer as variedades, como a melodia, uma novidade na plantação, sendo um lançamento recente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Jales.

“A uva da variedade Vitória, que possui coloração negra, sem semente e de sabor bem adocicado, é muito apreciada pelo turista que passa por aqui. Nesse ano, também tivemos muita procura pela uva verde sem semente”, pontua Weber.

Na “Estância das Videiras”, a colheita da uva deverá encerrar a temporada no próximo dia 12 de outubro. A agricultora Maria Aparecida Buzinaro possui 1,2 mil plantas de uvas e destaca que o turismo rural tem agregado valor para manter a produção da fruta. “No mercado tem muita uva de outros estados, e com os turistas conseguimos vender mais a nossa uva.”

Vinhos da região atraem turista na vinícola

 

A produção de uvas finas para a fabricação de vinhos vem crescendo na região Noroeste, com investimentos em parreirais e ainda no enoturismo, um passeio que desperta o interesse do turista para ver de perto uma vinícola. Em Penápolis, na “Vinícola Ferracini”, o público poderá conhecer os vinhos, as plantações e participar dos eventos agendados pelo proprietário Fábio Ferracini.

Ele cultiva plantas de variedades europeias, como as uvas cabernet franc, cabernet sauvignon, syrah, tannat e chardonnay, utilizadas para a fabricação de vinhos tinto e branco, além dos espumantes. “A comercialização dos vinhos nesse ano não foi aquela tão esperada por nós, apesar do clima mais frio. Mas, com o turismo e os eventos, tivemos muita procura da bebida aqui na vinícola”, ressalta.

Para conhecer as plantações e os vinhos, Fábio explica que o agendamento é feito pelos interessados na rede social da vinícola. “Esse ano tivemos a festa do vinho, no mês de julho, que foi um sucesso, com muita procura de turistas que vêm de várias cidades da região e de outros estados”.

Ele comentou ainda que as variações climáticas desse ano refletiram na safra de uva. “Mas ainda tivemos boa safra e conseguimos também escoar a produção para parceiros que compram as uvas. Com o turismo, tivemos ainda mais sucesso e já temos evento programado para outubro, de um brunch com harmonização de vinhos, mas de um agendamento de convites esgotados”.

O enólogo e pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves (RS), comenta que o enoturismo é altamente rentável para o agronegócio brasileiro. “É uma atividade com muito potencial, em diferentes regiões do País, e une turismo e vinho. Atualmente, o público aprecia muito o passeio nos vinhedos, além dos consumidores da bebida que querem conhecer as plantações de uva”, disse o pesquisador. (CC)

Refeições tradicionais

 

Com o turismo rural, os agricultores conseguem aumentar a renda das famílias, gerar empregos e ainda, não abandonar a atividade no campo. Segundo pesquisa do Ministério do Turismo com dados de 2023, 74% dos turistas escolhem destinos rurais pela proximidade com a natureza e 73% valorizam a comida caseira desses locais.

Para os produtores da região que atuam com o turismo rural, as refeições foram outro investimento para o negócio se concretizar. “Vimos precisarmos oferecer alimentação para os turistas, e hoje oferecemos um café colonial, que tem muitas opções de alimentos, além de produtos da uva, como suco e geleia”, comenta Weber.

No sítio de Bruno, o sistema de colheita com o morango também foi ampliado com os almoços, uma comida caseira e o tradicional churrasco, muito apreciado pelos turistas. “Antes mesmo de termos o morango para o turista, temos investido nos almoços nos finais de semana e feriados”, disse Bruno. (CC)

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Turistas colhem uvas no Vale das Vitórias, em Urânia