Passarela vira 'mirante' para quintal de moradores em Rio Preto
A passarela de pedestres construída pela concessionária Rumo na passagem do Jardim Conceição, em Rio Preto, se transformou em “mirante” para o quintal de moradores do bairro vizinho, o Vila Esplanada, que estão incomodados com a perda da privacidade. Um deles já está movendo ação contra a operadora de ferrovias e a Prefeitura após ter de improvisar lonas e coberturas de telhas para impedir a visão de janelas dos quartos e do banheiro.
“O dia inteiro tem pessoas em situação de rua sentadas nos degraus, ou debruçadas no corrimão, olhando para dentro da minha casa. O muro é alto, mas eles estão cinco metros acima, vendo tudo o que acontece do meu quintal para dentro. A gente não pode nem tomar banho em paz”, lamenta o homem que, com medo, pediu para não ser identificado.
Inaugurada em julho com investimento de R$ 6 milhões, a passarela "Pedro Rodrigues de Almeida" faz parte de um conjunto de intervenções de mobilidade urbana e segurança operacional nos municípios abrangidos pela Malha Paulista.
A ação de indenização e pedido de providências é movida pelo escritório Fachini e Cornélio.
Posicionados na passarela, os advogados Rafaela Jorge Fachini e Gabriel da Silva Cornélio registraram fotos que comprovam que pedestres têm total visão para dentro do imóvel do morador, comprometendo de forma significativa a intimidade da família.
“A situação ocasionou verdadeira exposição da vida privada da família, tornando impossível manter janelas e cortinas abertas, utilizar normalmente os cômodos voltados para a via pública ou usufruir da residência com a tranquilidade anteriormente existente, sem prejuízo de sua privacidade. A obra pública, embora destinada ao interesse coletivo, foi construída sem qualquer medida destinada a minimizar os impactos sobre os imóveis ali localizados, especialmente quanto à preservação da privacidade dos moradores”, escreveu a advogada Rafaela.
Ao Diário, o homem relatou ainda que dependentes químicos dormem na passarela, praticam relações sexuais, usam drogas e descartam alimentos, bebidas e peças de roupa.
“Com visão privilegiada, eles sabem se tem alguém no imóvel ou não. As casas vazias são os alvos preferidos. Eles percebem que estão desocupados e entram para furtar louças e metais”, diz.
O homem afirma que os vizinhos já estão organizados em um grupo no WhatsApp e planejam uma ação coletiva.
No processo movido por ele, os advogados pleiteiam R$ 40,5 mil de indenização por danos morais. Eles pedem ainda que a Prefeitura de Rio Preto e a Rumo, em diálogo com os moradores, providenciem ações corretivas para sanar o problema. Para o morador, uma medida eficiente seria a cobertura da passarela.
As partes ainda não foram citadas.
A reportagem questionou a Prefeitura, por meio da Secretaria de Obras, e a Rumo se o projeto considerou a preocupação com a violação da privacidade das residências no entorno da passarela e que alternativas propõem para solucionar a questão. O Município informou que aguarda a intimação para, oportunamente, apresentar sua manifestação nos autos. Não houve posicionamento da Rumo até o fechamento desta reportagem.
Atualização: 01/10/2026
Nota da Rumo
A passarela integra um conjunto de intervenções realizadas em São José do Rio Preto com o objetivo de ampliar a mobilidade urbana e a segurança da população, promovendo a separação entre a circulação de trens e o trânsito de veículos e pedestres. As obras decorrem da obrigação contratual da concessionária e os projetos são submetidos previamente à análise e aprovação das autoridades públicas competentes antes de serem executados.

Vista de satélite do trecho e, nas outras imagens, a visão que pessoas têm dos imóveis ficando no alto da passarela do Jardim Conceição

Redação 



