Safra recorde de soja pressiona preços

Safra recorde de soja pressiona preços
Os plantios de soja na região começaram mais cedo nesta safra - Divulgação

As expectativas de produção recorde de soja na safra 2026-2027 continuam pressionando os preços do grão nos mercados brasileiro e internacional. Conforme pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-USP), o avanço da colheita no Hemisfério Norte e o ritmo intenso da semeadura no Brasil reforçam as projeções de oferta global. Na região Noroeste, os agricultores estão mais animados com o plantio deste ciclo, diante das chuvas regulares, mas ainda com a preocupação sobre a valorização da commodity.

De acordo com a análise divulgada nesta semana pelo Cepea, as preocupações com os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño, no entanto, têm levado parte dos produtores brasileiros a reduzir a participação nas negociações do mercado spot (à vista), movimento que ajuda a limitar as quedas nas cotações.

Para o Noroeste paulista, o agrônomo e diretor de agronegócio da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp), André Seixas, destaca que alguns fatores devem ser analisados para as áreas com plantio de soja. Entre esses fatores, ele pontua o clima favorável para a semeadura da soja, com boa distribuição de chuvas em uma época que tradicionalmente é de seca na região.

“Porém, ainda há o risco do El Niño, com as previsões de altas temperaturas para os próximos meses”, ressaltou. Seixas afirma que o clima contribuiu muito para os sojicultores começarem mais cedo o cultivo da oleaginosa, que necessita do solo úmido, mas há o alerta para os veranicos que poderão mais à frente prejudicar o preenchimento dos grãos.

MUNDO

Apesar das incertezas climáticas, as projeções reforçam a expectativa de produção global recorde, impulsionada pelos cultivos da soja no Brasil, que responde por mais de 40% da oferta mundial, segundo aponta o levantamento do Cepea.

Neste contexto, Seixas avalia que é necessário considerar uma safra recorde, como está previsto e caso as projeções se confirmem no País, os preços da soja podem ficar mais baixos para o produtor, diante da maior oferta do grão. “No entanto, se o clima continuar favorecendo os plantios e as altas temperaturas não afetarem as lavouras com a força do El Niño, o cenário será muito bom para o setor”.

O mercado da commodity atualmente, segundo o agrônomo, está muito relacionado às ofertas das produções brasileira e norte-americana, sendo que a China é o maior comprador da soja mundial. “Então depende muito do quanto os chineses vão comprar do Brasil e dos Estados Unidos”, avaliou.

DEMANDA

Apesar do avanço mais moderado da temporada de 2026-2027, com o volume que deverá atingir 181,62 milhões de toneladas, em comparação aos 180,4 milhões de toneladas obtidas no ciclo anterior, a Conab estima que o crescimento de 0,7% deverá ser suficiente para estabelecer um novo recorde para a produção nacional de soja.

Pelo lado da demanda, as exportações brasileiras de soja em grãos são projetadas em 117,96 milhões de toneladas, aumento de 1,76 milhão de toneladas em relação à safra anterior. Apesar dessa projeção, o crescimento dos embarques deverá ocorrer de forma moderada, diante da expansão limitada da oferta brasileira e da maior concorrência dos Estados Unidos, com a produção de soja que poderá alcançar volume recorde na temporada 2026-2027.