Sete em cada dez pessoas usam transporte por aplicativo na região
O transporte por aplicativo é utilizado por 70% da população da região administrativa de Rio Preto, segundo levantamento de 2026 da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). Do total, 23% afirmam usar o serviço com frequência e 47% de vez em quando. Apenas no município de Rio Preto, estimativas da Prefeitura apontam cerca de 3,5 mil motoristas de aplicativo em atividade.
Os dados da Seade abrangem a região administrativa, e não apenas o município de Rio Preto. O percentual de usuários fica seis pontos percentuais abaixo da média do Estado de São Paulo, onde 76% da população utiliza transporte por aplicativo: 26% com frequência e 50% ocasionalmente. No Estado, 24% dizem não usar o serviço.
Para o usuário de transporte por aplicativo Matheus Gabriel Velho, de 20 anos, a facilidade de solicitar uma corrida pelo celular e a falta de condições financeiras para ter um veículo próprio ajudam a explicar a demanda, especialmente entre os jovens.
Segundo ele, pessoas de sua faixa etária encontram nos aplicativos uma alternativa para se deslocar em meio à rotina corrida. “A faixa etária e a facilidade com que você consegue se locomover pela cidade, isso é o que aumenta a demanda do Uber”, afirma.
Já Greice Ellen Hipolito, de 26 anos, considera o transporte por aplicativo uma opção prática, que facilita atividades do dia a dia, como levar o filho à creche ou ir ao posto de saúde para consultas médicas de rotina. Para ela, o serviço oferece mais conforto nos deslocamentos com a criança.
“Bem melhor do que ficar em um ponto, à espera de um ônibus. É muito complicado, principalmente que ainda tenho bebê de colo. É desconfortável andar no ônibus”, opina a moradora da Zona Norte da cidade.
MOTORISTA
O motorista de aplicativo Daílson dos Santos também destaca a procura pelo serviço em Rio Preto. Segundo ele, a demanda tem aumentado a cada dia, percepção baseada na grande rotatividade de passageiros que transporta em seu carro.
“A gente tem percebido, sim, uma demanda boa dentro da cidade”, diz. Na avaliação do motorista, essa procura também atrai pessoas interessadas em trabalhar na atividade e encontrar no transporte por aplicativo uma fonte de renda.
“Muitas pessoas também têm aderido a essa área de trabalho até por conta disso, do crescimento do uso da população”, afirma. Segundo Daílson, as corridas atendem a diferentes necessidades e incluem tanto trajetos dentro de Rio Preto quanto viagens para outros municípios. “Tem as curtas, até mesmo aqui na região central, bastante curtas, e tem as longas também, até nas cidades vizinhas.”
Na comparação com regiões próximas, a adesão na região de Rio Preto é inferior à registrada em Ribeirão Preto, onde 76% utilizam aplicativos, e em Barretos, com 73%. Em Bauru, o índice é de 72%. Já Araçatuba apresenta um percentual menor, de 68%.
EXPLICAÇÃO
O economista André Yano afirma que o transporte por aplicativo complementa o uso do carro particular na região de Rio Preto. “Não é que as pessoas deixaram de comprar o carro e agora estão só andando de carros por aplicativo”, afirma.
Yano aponta que o preço dos veículos, os juros do financiamento e as despesas com combustível, IPVA, seguro e manutenção favorecem a procura pelo serviço. Em uma estimativa ilustrativa, calcula que manter um carro de R$ 100 mil pode custar cerca de R$ 15 mil por ano, incluindo a depreciação. Com todos esses fatos, o economista afirma que pode ter no futuro um aumento do uso de carros de aplicativos se mantidos os mesmos custos de ter um carro.
O secretário municipal de Trânsito e Transportes, Ederson Pinha, afirma que a Prefeitura não dispõe de dados oficiais sobre o uso do transporte por aplicativo na cidade. No entanto, um levantamento extraoficial da pasta estima cerca de 3,5 mil motoristas em atividade, com valor médio de R$ 13 por corrida.
“O uso de transporte por aplicativo no município acompanha uma tendência mundial, visto que o consumidor evita gastos fixos com veículo particular, tais como seguro e IPVA, mantendo a flexibilidade e maior velocidade no tempo de locomoção”, afirma. Pinha destaca, porém, que o transporte coletivo é uma alternativa mais econômica e acessível.
O secretário informa que a gratuidade no transporte público atende idosos a partir de 65 anos, pessoas com deficiência e acompanhantes, policiais militares em serviço e fardados, carteiros em serviço, atiradores do Tiro de Guerra e estudantes de cursos técnicos da Etec, Senai e Serviço Social São Judas. Aos domingos, a tarifa zero vale para todos os passageiros.
“O transporte público é a opção mais sustentável”, afirma Pinha. Ele acrescenta que, em Rio Preto, os corredores exclusivos para ônibus nos horários de pico e a integração entre terminais contribuem para reduzir o tempo de viagem e tornar os deslocamentos mais ágeis.
Segundo o secretário, a administração municipal busca incentivar o uso do transporte coletivo com melhorias nos trajetos, nas linhas e na frota de veículos. Entre as medidas, ele cita a inclusão de ônibus com ar-condicionado e wi-fi.

O motorista de aplicativo Daílson dos Santos destaca a procura pelo serviço em Rio Preto

Redação 



