Preços e safra reduzida pressionam produção de laranja
A safra de laranja deste ano ainda traz incertezas para os citricultores e não avançou na comercialização da fruta direcionada à indústria, o que pressiona ainda mais os plantios no campo diante da menor produtividade das árvores. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no mês de julho o mercado começa a formar as primeiras referências de preços para o ciclo 2026–2027, e as cotações estão abaixo das registradas no mesmo período da temporada anterior, apesar da estimativa de menor produção.
Segundo produtores do Noroeste paulista, as indústrias estão mais exigentes com a laranja colhida, além de informarem que a demanda global de suco está enfraquecida e os estoques da fruta para o processamento ainda estão elevados neste ano. Atualmente, o maior destino da produção de citros no campo depende da indústria, sendo que o suco de laranja representa mais de 70% das exportações brasileiras do setor.
“Os preços da laranja estão mais baixos neste ano, em comparação com a safra anterior. A nossa expectativa na atual safra era de que pelo menos os preços comercializados com a indústria fossem os mesmos, mas estão 50% menores”, explica o citricultor de Rio Preto, Paulo Sader.
O citricultor explica que, mesmo diante da possibilidade de uma ameaça do governo dos Estados Unidos em impor uma taxa para o suco de laranja brasileiro e depois desistir dessa sobretaxa, os preços pagos pela indústria seguem mais baixos nesta temporada. “Sem contar as exigências e as restrições com relação à qualidade da fruta. Esse cenário da demanda mostra que a indústria reduziu a compra da laranja”, ressaltou.
Greening
Nos pomares, os citricultores ainda enfrentam o avanço da doença do greening, que refletiu na redução da fruta no cinturão citrícola do estado de São Paulo. Conforme dados do Fundecitrus, o volume de laranja no ciclo 2026–2027 é de 255,2 milhões de caixas, 12,9% menor que o da safra passada. Além das mudanças climáticas que impactaram os pomares, os produtores avaliam que o greening tem aumentado na região Noroeste e vem provocando baixa produtividade da safra.
Nas áreas de plantio do citricultor José Claudio Ruiz, o greening já causou grandes prejuízos, e para as próximas temporadas, o planejamento é o de erradicar as laranjeiras de alguns pomares. “Os reflexos com a doença são muitos, sendo que a região de Rio Preto enfrenta o greening em 34% dos plantios”, afirmou.
Ele estima ainda que, para 10 árvores de laranja, quatro são atingidas pela pior doença da citricultura mundial — o greening — causado por uma bactéria e não tem cura para o laranjal, sendo necessário erradicar as áreas infectadas.
Suco de laranja em queda
Na avaliação da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrosBR), o mercado mundial deve continuar enfrentando, neste ciclo, uma combinação entre a diminuição do consumo de suco de laranja e os estoques elevados das indústrias com o produto. Apesar da expectativa de uma safra menor neste ano, a redução da oferta não deverá ser suficiente para impulsionar uma recuperação dos preços.
A redução confirma as expectativas do mercado e reflete, principalmente, a queda da produtividade dos pomares, de acordo com os dados compilados pela Citros BR, do relatório divulgado pela Rabobank — um banco multinacional ligado ao agronegócio que analisa as perspectivas para a cadeia citrícola. O estudo indica um ambiente marcado por demanda enfraquecida, estoques elevados e desafios na produção de laranja.
Os produtores de citros observam que a população vem consumindo menos o suco. “Conforme as indústrias, o mercado de suco de laranja está mais retraído nos Estados Unidos e na União Europeia. Essa diminuição de consumo, em outros países, é provavelmente relacionada à renda da população. E aqui no Brasil, esse menor consumo, por conta das canetas emagrecedoras, excluindo da dieta o consumo do suco, por apresentar mais carboidratos e açúcares”, afirmou Paulo.
José Claudio explica que os estoques para o processamento do suco já vinham mais restritos desde 2024, quando a baixa produtividade dos pomares contribuiu para a qualidade da laranja, atribuída à doçura e acidez da fruta. “A indústria está cada vez mais seletiva no recebimento dos frutos e muitos produtores não estão conseguindo negociar nesta safra.” (CC )
Tendências do setor
Em evento realizado no mês de junho, na Alemanha, o Fundecitrus esteve presente, junto a representantes das indústrias engarrafadoras de sucos de frutas para discutir desafios, tendências de consumo e perspectivas para o setor. Com o tema “O futuro da produção de laranja no Brasil”, Juliano Ayres, diretor-executivo do Fundecitrus, destacou os principais fatores que devem influenciar a citricultura brasileira nos próximos anos.
A sanidade dos pomares, competitividade, sustentabilidade e benefícios do suco de laranja para a saúde também foram apresentados durante a conferência. Segundo Juliano, pesquisas recentes e inéditas vêm contribuindo para ampliar a compreensão positiva sobre a fruta, indicando que o suco de laranja natural, quando inserido em uma dieta equilibrada, pode auxiliar na melhora de marcadores metabólicos, como colesterol e glicemia, além de apresentar ação antioxidante e anti-inflamatória.
“Esses resultados reforçam o suco de laranja, quando consumido de forma regular e adequada, como um alimento funcional, associado à prevenção de doenças crônicas, à manutenção da saúde e ao bem-estar”, disse o diretor. (CC)

O citricultor José Claudio Ruiz aponta o avanço do greening na região

Redação 



