QUEROSENE NAS ALTURAS

QUEROSENE NAS ALTURAS
Preço do combustível impacta diretamente no custo das passagens - Colaboração/Paulo Henrique Gonçalez

A elevação do preço do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras em 54,63%, anunciada pela Petrobras nesta quarta-feira, 1º de abril, deve provocar o aumento do preço das passagens aéreas com efeito imediato. A expectativa pela alta vinha desde a última semana. Ao mesmo tempo, a Petrobras anunciou uma medida para tentar evitar o repasse dos efeitos da elevação do preço de maneira imediata.

A partir desta data, o combustível passa a custar R$ 5.495,30 o metro cúbico, ou R$ 5,495 por litro. Em março, a estatal já havia elevado o combustível em 9,4%.

O querosene de aviação abastece aeronaves turboélices, jatos e helicópteros turboeixo. A gasolina de aviação alimenta aeronaves com motores a pistão. Os 2 combustíveis de aviação seguem paridade internacional.

A alta, semelhante à anunciada pela concorrente da Bahia, a Refinaria de Mataripe, reflete a alta do preço do petróleo e de seus derivados no mercado internacional por conta da guerra entre Estados Unidos e Irã, que bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da oferta da commodity.

A Refinaria também informou que o reajuste do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) será de 15,3% para as distribuidoras a partir de 1º de abril.

MERCADO

Segundo a Acelen, que controla Mataripe, "os preços dos produtos seguem critérios de mercado, considerando variáveis como custo do petróleo, que é adquirido a preços internacionais, dólar e frete, podendo variar para cima ou para baixo".

Ao contrário da Petrobras, a Acelen pratica a política de paridade de importação (PPI) e está com os preços mais em linha com o mercado internacional do que a estatal. A partir de amanhã, 1º, o querosene de aviação (QAV) será reajustado em 54%.

Mataripe reajustou seis vezes o diesel este mês e a quatro vezes a gasolina, acompanhando a volatilidade do preço do petróleo e seus derivados por conta da guerra entre Estados Unidos e Irã. O diesel acumula alta de 85,4% e a gasolina, de 55,5% no mês.

Com os reajustes, os produtos da empresa registram defasagens de 4% em relação ao mercado internacional, enquanto na média das refinarias da Petrobras essa defasagem é de 73% e 66%, respectivamente.

A Vibra Energia, distribuidora privada de combustíveis que sucedeu a estatal BR Distribuidora, informou que irá repassar o reajuste de 54,63% no preço do querosene de aviação.

A empresa comunicou o repasse aos operadores de táxi-aéreo na 6ª feira. Segundo a Vibra, a companhia não define o reajuste, apenas replica os valores estabelecidos pela estatal.

ABEAR

O combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas após as altas recentes do querosene de aviação (QAV), segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). O reajuste de 54%, confirmado nesta quarta-feira, 1º de abril, pela Petrobras, soma-se ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março.

"A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do País e a democratização do transporte aéreo", afirma a associação, por meio de nota.

A Abear diz ainda que, embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas. "Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações", finaliza.

Mais cedo, o presidente da associação, Juliano Noman, afirmou que as medidas do governo federal para tentar mitigar o impacto da alta do preço do petróleo no querosene de aviação (QAV) precisam ser "urgentes" para que o setor não tenha de adotar ações de replanejamento.

O setor avalia que linhas de crédito, alívio tarifário e ajustes tributários, por exemplo, podem amenizar a alta dos preços.

ATENUAR

Petrobras que vai oferecer um termo de adesão para as distribuidoras para reduzir os efeitos do reajuste no preço do querosene de aviação (QAV). A proposta vai permitir que as empresas paguem um aumento de 18% em abril, porcentual menor que o reajuste de 54,8% previsto em contrato.

A diferença ainda poderá ser parcelada em seis vezes, com primeira parcela a partir de julho de 2026. As condições ainda serão calculadas, explica a estatal por meio de nota.

"Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado."

O termo vai ser disponibilizado ao mercado até segunda-feira, 6, segundo a estatal.

A Petrobras pontua que a medida "contribui com a saúde financeira dos clientes da companhia ao mesmo tempo em que preserva a neutralidade financeira para a Petrobras".

A empresa reforçou, ainda, a mensagem que "segue comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, sem repassar volatilidade de curto prazo aos preços nacionais".