Suspensão da UE atinge produção de tilápia na região

Suspensão da UE atinge produção de tilápia na região
Entre as proteínas, a tilápia também terá suspensão de embarque para a UE - Divulgação

O controle rigoroso de antimicrobianos para a exportação de produtos de origem animal deixou o Brasil de fora da lista de carnes importadas pela União Europeia, a partir de setembro. Além da pecuária e da avicultura, a produção de tilápia também foi incluída com a possível irregularidade nesta regra do bloco europeu, apesar de a piscicultura não utilizar antibióticos nos animais, segundo piscicultores do Noroeste paulista.

“Há um mês, ficamos satisfeitos com o acordo firmado entre Mercosul-União Europeia, com a abertura de um mercado exportador importante para a tilapicultura. Porém, recebemos com surpresa essa decisão dos países europeus em suspender a exportação brasileira de peixes, que atinge a tilapicultura da região”, afirmou Emerson Esteves, diretor da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe-SP).

Na região de Santa Fé do Sul, principal polo da produção paulista de tilápia, Emerson comenta que os produtores não fazem o uso de antimicrobianos — produtos usados para combater doenças e aumentar o desempenho dos animais —, medida adotada pelo bloco europeu para barrar as exportações das carnes brasileiras.

Emerson comentou ainda que o acordo de livre comércio com a UE apresentava grande expectativa para a comercialização de peixes, especialmente para o filé de tilápia. “A nossa produção já teve o impacto da importação de tilápia do Vietnã, exportamos para os Estados Unidos, mas o bloco europeu era esperado há anos pelo setor, sendo um mercado muito disputado mundialmente”, pontua.

Sem irregularidade

A proteína brasileira, como a tilápia, tem alto rigor sanitário no uso de antibióticos, de acordo com o diretor da Peixe-SP. “A prática da vacinação nos peixes juvenis é adotada pelos produtores, justamente para evitarmos as doenças e o uso de antibióticos. Já temos mercados exportadores e empresas brasileiras certificadas com boas práticas de manejo e tecnologia, que não utilizam esses medicamentos”.

Para a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe-BR) a decisão do bloco europeu em suspender as importações de proteína animal do Brasil preocupa o setor da piscicultura. Em nota, a entidade destacou que as medidas restritivas apontadas pela UE, sobre o controle de antimicrobianos, não possuem nenhuma irregularidade por parte da produção brasileira de pescados.

De acordo com a Peixe-BR, a recente medida, logo após o avanço do acordo Mercosul-União Europeia, reforça um cenário global de proteção de mercados, no qual barreiras sanitárias e regulatórias também são utilizadas como instrumentos comerciais.

A medida adotada pela UE, segundo Emerson, ainda pode ser revertida com a negociação do governo federal. “É um mercado bastante restritivo, mas aguardamos uma revogação dessa medida e que possa abrir esse mercado também para a tilapicultura brasileira, que ainda não exportava para o bloco europeu”, conclui.

Carne bovina e de frango serão afetadas
A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco nas novas regras relacionadas ao uso de antimicrobianos. A restrição atinge mercados exportadores importantes para o País, como o de carne bovina e de frango.

Na produção de frango de corte, setor importante na região do Noroeste paulista, a avaliação é de uma situação momentânea e diz respeito às questões comerciais entre os produtores rurais da União Europeia. “A exportação brasileira de frango de corte tem amplo mercado, temos estrutura de granjas, com água, energia e rigor sanitário na produção dessa proteína”, explicou o avicultor Renato Martins.

Em 2025, o Brasil exportou mais de 128 mil toneladas de carne bovina para a UE, com faturamento superior a US$ 1 bilhão, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Carnes (Abiec). “A Europa se precipitou nessa tomada de decisão de retirar o Brasil da lista. Existiam negociações em andamento entre o Ministério da Agricultura e a autoridade europeia”, afirmou Roberto Perosa, presidente da Abiec.

Ele disse ainda que o governo brasileiro deve encaminhar, nas próximas semanas, informações complementares e protocolos sanitários exigidos pelas autoridades europeias para tentar reverter essa medida e manter a normalidade das exportações. (CC)

Controle de antimicrobianos
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, no dia 27 de abril deste ano, portaria que estabelece novas regras para o uso de antimicrobianos na produção animal, com foco na proteção da saúde pública e no uso responsável desses insumos. A norma proíbe, em todo o território nacional, a importação, a fabricação, a comercialização e o uso de aditivos melhoradores de desempenho que contenham antimicrobianos classificados como importantes para a medicina humana ou veterinária.

Segundo o veterinário Fernando Buchala, da Defesa Agropecuária de Rio Preto, o Brasil possui um programa de uso controlado de antimicrobianos, com listas atualizadas de produtos restritos à importação, fabricação, comercialização e uso nas criações animais. “As fábricas de ração são registradas no Mapa e há controle de boas práticas de produção. Nas granjas de aves, temos responsabilidade técnica obrigatória de médicos veterinários e do uso controlado de antimicrobianos quando necessário”.

Buchala destacou que ainda não há muitas informações sobre os questionamentos e os pontos de melhoria apontados pelo bloco europeu ao Brasil. “Temos estrutura e alternativas para adequar a exportação brasileira às exigências de mercado”, afirmou. (CC)

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O avicultor Renato Martins destaca que as granjas possuem segurança sanitária