Enquanto circulavam por Brasília, Coronel e Carmona viram uma CPI brotar na Câmara
Enquanto o prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), e seu fiel escudeiro Rodrigo Carmona - homem forte da articulação política do governo municipal -, cumpriam agenda em Brasília, uma CPI brotou na Câmara com a ajuda imprescindível de vereadores governistas.
E não é qualquer CPI. Trata-se de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o barulhento contrato sem licitação de R$ 11,9 milhões com a Santa Casa de Casa Branca. O convênio, segundo o governo, visa zerar a fila de 62,9 mil exames de imagem na rede pública de saúde do município.
À distância – Coronel e Carmona viajaram para a Capital federal no último domingo – os dois talvez não tenham conseguido sentir (e medir) a dimensão que as desconfianças e perguntas sem respostas convincentes começavam a tomar por aqui. A dupla pode não ter dado, também, a importância a “aliados” no Legislativo que começam a se sentir “desprestigiados” ou até mesmo “traídos”.
Por volta das 11h da manhã desta quarta-feira, 29, quando o secretário de Saúde, Rubem Bottas, ainda experimentava a ressaca de ter sido formalmente “desmentido” pela Funfarme sobre consulta prévia de interesse da instituição no mutirão dos exames, um grupo de cinco vereadores da base se movimentava no sentido de bancar a CPI.
Apresentado por Renato Pupo (Avante), o requerimento contava até então com as adesões de João Paulo Rillo (PT), Alexandre Montenegro (PL) e Pedro Roberto (Republicanos). Os opositores de sempre, que até aqui não tinham conseguido emplacar nenhuma CPI capaz de tirar o sono do governo.
Mas eis que, logo depois do almoço, uma a uma, começaram a aparecer no sistema da Câmara as adesões de Paulo Pauléra (PP), Alex Carvalho (PSB), Nenê da Zona Norte (PSB), Felipe Alcalá (PL) e o Jonathan Santos. Bingo: nove assinaturas no total, uma a mais das oito obrigatórias para o pedido de apuração avançar e a comissão ser instalada.
Em meio ao reboliço geral, duas situações se destacam: as especulações sobre quem estaria por trás da articulação dos “governistas rebelados” e o imediato disparo de telefonemas do governo para que os demais vereadores da base subscrevessem o documento.
A segunda movimentação é óbvia: aumentar as possibilidades de a CPI ser formada por gente simpática ao governo e garantir narrativa de que a gestão coronelista não teme ser investigada.
Quanto às especulações, haja pano pra manga. “O governo se elegeu com o mote da transparência e da honestidade. Então, não pode se furtar de qualquer tipo de apuração”, respondeu Pauléra ao ser questionado pela Coluna sobre o que o levou a assinar o documento.
Segundo Alex Carvalho, sua motivação foi de cunho individual. “Quando tomei conhecimento desse convênio, consultei minha base, amigos e médicos e cheguei à conclusão que isso não está certo. Existem muitas dúvidas, sem falar na falta de expertise da Santa Casa de Casa Branca nesse negócio.”
Alex disse ainda que não foi consultado sobre o projeto (do mutirão). “Então, como vou endossar algo que não está certo?” Felipe Alcalá, que é do mesmo PL do Coronel não respondeu à Coluna.
Vale lembrar que Pauléra acaba de levar uma rasteira dentro do PP, cuja presidência foi assumida por Anderson Branco, secretário de Governo. A operação junto ao comando estadual do partido tem todas as digitais do Coronel e seu grupo político. Daí que são muitas as motivações do pepista de longa data para dar o troco.
Alex, por sua vez, não partiria para um confronto direto com o governo sem autorização (ou orientação?) do deputado estadual Valdomiro Lopes (PSB). Ou seja, jogo de veterano.
NOTAS
MITINHO 1
Os deputados federais e candidatos à reeleição Luiz Carlos Motta e Paulo Bilynskyj, ambos do PL e ambos com domicílio eleitoral em Rio Preto, também entraram numa disputa entre eles sobre qual dos dois é mais “íntimo” do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. Depois de Motta posar em foto ao lado de Valdemar Costa Neto, cacique nacional do PL, e antecipar possíveis datas para a vinda do filho Zero Um do ex-presidente Jair Bolsonaro a Rio Preto, foi a vez de Bilynskyj fazer sua performance.
MITINHO 2
E Bilynskyj quis mostrar que não precisa de interlocutores para falar com o “homem”. Para tanto, foi até o gabinete de Flávio Bolsonaro gravar uma mensagem do presidenciável aos rio-pretenses. O vídeo está pipocando por uma infinidade de grupos de WhatsApp que reúnem fiéis seguidores do mito na cidade. Ou seja, o “mitinho” já foi devidamente entronizado no altar de devoção dos bolsonaristas locais.
‘FUI’ 1
Vice-presidente do Solidariedade de Rio Preto, Marcelo Pimenta anunciou por meio de nota oficial nesta quarta-feira, 29, sua desfiliação da legenda, que tem como presidente o produtor teatral e ativista cultural Lawrence Garcia. “Motivada por dissensos de natureza programática e de orientação político-institucional em relação aos direcionamentos que vêm sendo adotados pelo partido no âmbito municipal”, justificou.
‘FUI’ 2
É a segunda baixa de um integrante da direção do Solidariedade em seis meses. Em outubro do ano passado, Elis Bohrer, recém-eleita presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC) de Rio Preto, também renunciou ao cargo de vice-presidente do partido e se desfiliou. A Coluna apurou que a via de aproximação ao governo do Coronel Fábio Candido (PL), que vem sendo tomada por Lawrence, seria o motivo da insatisfação de boa parte das lideranças do partido.
CATANDUVA 1
A decisão da Justiça, com trânsito em julgado, que determinou o bloqueio de bens e condenação por improbidade administrativa dos ex-prefeitos de Catanduva Afonso Macchione Neto (PSDB) e Geraldo Antonio Vinholi (PL), uniu no infortúnio dois adversários históricos da política local. Ambos foram responsabilizados por uma prática administrativa irregular que atravessou as respectivas gestões: cessão ilegal de servidores ao sindicato dos servidores municipais da cidade.
CATANDUVA 2
Macchione iniciou a distorção. Vinholi, seu sucessor e opositor, não apenas manteve, mas a aprofundou. A condenação definitiva por improbidade não apenas atinge o patrimônio e a biografia de Afonso Macchione Neto e Geraldo Antonio Vinholi, mas interrompe dois projetos políticos que já estavam em gestação nos bastidores.
CATANDUVA 3
O primeiro trabalhava silenciosamente para voltar à Prefeitura em 2028. Filiado ao PL, o segundo pensava em tentar voltar à Alesp, numa dobrada de campanha com o filho, Marco Vinholi (Republicanos), que vai concorrer a deputado federal. Isso porque a sentença suspendeu os direitos políticos de ambos. O empresário bolsonarista Ricardo Rebelato (PL) e o médico Roberto Cacciari, prefeito de Urupês que tem um pé fincado em Catanduva e outro em Rio Preto, seriam os mais beneficiados com Macchione e Vinholi, o pai, inviabilizados.
CORTOU
Primeiro suplente do Psol na Câmara de Rio Preto, representante legal da Atem (sindicato dos professores da rede municipal de ensino) e pedra no sapato do Executivo municipal, do atual e do anterior, Fabiano de Jesus radicalizou, agora, no visual. Depois de cortar 20 centímetros da cabeleira, ele doou as madeixas para a Amicc, contribuindo para a produção de perucas doadas para pacientes em tratamento contra o câncer.
PONTA DE LANÇA...

PONTA DE LANÇA... - Divulgação
Robson Ricci (PSD), que assumiu cadeira na Câmara depois que o Coronel Fábio Candido deu uma secretaria – a da Habitação – para Jorge Menezes, quer barrar na Justiça a já formada comissão para apurar denúncias de assédio moral e sexual contra servidores da Prefeitura de Rio Preto, além de funcionários terceirizados. Presidida por João Paulo Rillo (PT) e composta ainda por Pedro Roberto (Republicanos), Jean Dornelas (MDB) e Alexandre Montenegro (PL) na suplência, a CPI foi instituída no início do ano e definiu recentemente o cronograma de atividades. Ricci está questiona na Justiça a legalidade da comissão. Na ação, o vereador do PSD aponta que os “fatos determinados” para justificar a CPI são “abstratos e genéricos”. Ele argumenta que, “além de não atender requisito constitucionalmente obrigatório, denotam atuação parlamentar com comportamento especulativo e indiscriminado”. O requerimento que instalou a apuração argumentou “excessivos casos de assédio moral e sexual contra trabalhadores terceirizados, especialmente mulheres”.

Redação 



