Veto da UE não deverá atingir produção de frango de corte
A qualidade da produção de frango brasileira e as regras rigorosas dos produtores no cumprimento de medidas sanitárias dos aviários deverão contar para que a União Europeia (UE) avalie o veto nas exportações da proteína animal. A análise é de avicultores da região de Rio Preto, que concentra forte potencial de granjas, frigoríficos e empresas que atuam com melhoramento genético das aves.
“O governo e as entidades, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), estão em negociações intensas para tentar reverter o veto ou adequar os protocolos sanitários até setembro. A percepção é de que o sistema brasileiro possui a qualidade técnica necessária, mas falta a padronização documental que os europeus exigem”, afirmou o avicultor Fábio Berti, que atua com granjas no município de Tanabi.
A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes, como a bovina e de frango, foi confirmada em documento oficial publicado no Diário Oficial da UE no dia 5 de junho. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem algumas das exigências sanitárias europeias, como o uso de medicamentos antimicrobianos na cadeia produtiva.
Granjas da região
Na produção regional, os reflexos da suspensão das exportações de frango ainda não tiveram impactos na comercialização das aves. Segundo Fábio, que aloja 2,3 milhões de animais nas granjas, a recomendação é seguir rigorosamente os protocolos da assistência técnica mantida pelos frigoríficos, em sistema de integração entre empresa e produtores.
A prioridade, conforme o avicultor, é manter a prevenção ambiental e seguir as normas de biosseguridade para a produção de frangos. “Mesmo que o veto da UE seja revertido, a tendência global é que esses padrões de rastreabilidade e uso de antimicrobianos se tornem a norma, e não a exceção”.
No alojamento de 200 mil aves, na granja localizada em Jaci, a produtora Flávia Gorgato conta que a demanda por frango continua em alta e que a medida adotada pelo bloco europeu, de vetar a exportação da proteína, não deverá afetar a comercialização da ave na região.
Flávia também destacou que os critérios que a inspeção animal realiza nos aviários são rigorosos e que ela vem atendendo sempre as normas para manter a sanidade dos frangos. “Fizemos investimentos em equipamentos, cercamos toda a granja e compramos mais roupas para os funcionários, sempre para manter a questão sanitária em ordem.”
Exportações em alta
As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram receita de US$ 1,009 bilhão em maio de 2026, e superaram a marca histórica do setor, segundo levantamento da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado é 36% maior que maio de 2025 e gerou volume de embarques de 509,9 mil toneladas. O principal mercado exportador é a China e, na terceira posição, a Europa, responsável por 61,6% do aumento das importações no mês de maio deste ano.
Segundo a ABPA, quanto ao veto das exportações da UE ao Brasil, a medida não ocorre sobre qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira. Em nota, a entidade afirmou que o veto se refere aos procedimentos de comprovação e reconhecimento, pela União Europeia, dos mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil, conduzidos pelas autoridades competentes.
A ABPA informou ainda que atua em conjunto com o governo brasileiro, apoiando os esforços técnicos conduzidos pelo Mapa e demais órgãos competentes para prestar os esclarecimentos solicitados pelas autoridades europeias e demonstrar a efetividade dos sistemas brasileiros de fiscalização e controle. (CC)
Exigências com o uso de antimicrobiano
Um dos principais mercados da carne de frango para as exportações brasileiras, a União Europeia decidiu vetar a importação da proteína por entender que o Brasil não atendeu às exigências com os medicamentos antimicrobianos, norma que ocorre desde 2019.
De acordo com a medida europeia, substâncias como virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina para fins não terapêuticos, utilizadas porque estimulam o crescimento, são proibidas pelo bloco. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) proibiu alguns desses componentes em abril, por meio de uma portaria que vetou a importação, fabricação e utilização desses produtos.
De acordo com o avicultor Fábio Berti, a restrição de uso de antimicrobianos, que envolve principalmente a indústria que exporta aves, resultou na utilização de outros medicamentos, como os probióticos, prebióticos e ácidos orgânicos, para manter a saúde intestinal das aves.
“O uso de antibióticos autorizados pelo Mapa é apenas para combater as infecções em aves, quando acontece algum surto de doenças. Quanto aos medicamentos que estimulam o crescimento ou produtividade dos animais, não os utilizamos nas granjas. Hoje todas as rações são muito equilibradas e não levam nenhum tipo desses produtos. O crescimento das aves ou ganho de peso está mais relacionado com o melhoramento genético que avançou muito no País”, afirmou Fábio.
A médica veterinária Fabiana Sabino explica que os antimicrobianos ou antibióticos podem ser utilizados para o combate de infecções nos animais e, no caso da pecuária, também usados para estimular o ganho de peso na produção de corte ou combater bactérias na pecuária leiteira. “O problema é a resistência com as superbactérias, que podem causar problemas em humanos, daí a UE manter rigor com o uso desses antibióticos”, ressaltou. (CC)

Fábio Berti não faz uso de aceleradores de crescimento nas aves

Redação 



