Em novo livro, médico Wilson Daher faz reflexões sobre o tempo
O escritor e médico Wilson Daher lança neste sábado, 25, às 9h, no Riopreto Shopping Center, "O que ainda tenho", obra em que revisita a própria história a partir de uma pergunta silenciosa que atravessa todo o livro: o que permanece em nós depois das perdas? Médico e escritor, filho de imigrantes libaneses, o autor constrói uma narrativa memorialística marcada pela delicadeza, pela observação afetiva e pela tentativa de transformar em literatura as ausências que fizeram parte de sua trajetória.
Prestes a completar 88 anos, Wilson Daher decidiu colocar no papel lembranças que atravessaram décadas. Mais do que um registro de memórias, ele define a obra como uma “pequena novela biográfica”, inspirada em experiências pessoais, familiares e profissionais. Para o escritor, escrever o livro foi um ato de coragem e também um processo de catarse, uma forma de elaborar sentimentos guardados ao longo do tempo.
Publicado pelo selo livronaestante, sob coordenação editorial de João Paulo Vani, o livro percorre diferentes momentos da vida do autor, da infância em Macaubal à formação em medicina, passando pela constituição da família e pelas perdas que atravessam a experiência humana.
Para João Paulo Vani, o manuscrito chamou atenção pela honestidade da narrativa e pela forma como Wilson Daher transforma uma trajetória individual em uma reflexão sobre memória e legado. “Wilson Daher não escreve para construir uma imagem de si mesmo, mas para compreender a própria trajetória. É um livro que emociona justamente porque não procura emocionar”, afirma o editor.
Trajetória
Filho de uma família de origem libanesa, Wilson conta que a medicina e a literatura sempre estiveram presentes em sua vida. O desejo familiar era formar médicos, mas a escrita também encontrou espaço em sua trajetória. “Misturar a medicina com a literatura foi uma forma de entender melhor os dois mundos, suas queixas e suas dores”, afirma.
Autor de outros sete livros e duas peças de teatro, Wilson revisita a infância, o legado dos imigrantes, a medicina, a família e a ausência da companheira, transformando essas lembranças em uma nova forma de permanência.
Segundo João Paulo Vani, um dos diferenciais de O que Ainda Tenho está na maneira como o autor revisita o passado. “A maioria das autobiografias procura registrar acontecimentos. O que Ainda Tenho procura compreender o significado deles. A memória deixa de ser apenas recordação para tornar-se reflexão sobre identidade, pertencimento e legado”, explica.
Legado
Morando sozinho por escolha, o escritor também transforma a experiência da solidão em reflexão. Segundo ele, um dos momentos mais difíceis durante a escrita foi lidar com a presença da ausência. “As roupas, os móveis, os retratos... a ausência junto com a presença foi um momento muito difícil de solidão e superação”, relata.
A obra fala de uma história particular, mas alcança sentimentos universais, como a perda dos pais, a ausência da pessoa amada, os vínculos que permanecem e a necessidade humana de contar histórias para compreender a própria caminhada.
Durante o processo de edição, João Paulo Vani destaca que um dos principais cuidados foi preservar a voz do autor. “O maior desafio editorial foi organizar a narrativa sem retirar sua espontaneidade, permitindo que sua voz aparecesse com ainda mais clareza e autenticidade”, afirma.
Com linguagem sensível, O que ainda tenho mostra que escrever também pode ser uma maneira de manter vivos aqueles que fizeram parte da própria história.
Ao falar sobre a expectativa para os leitores, o escritor espera que cada pessoa encontre na obra uma conexão com suas próprias experiências. “Espero que se encontre no universo da perda e da superação e que se identifique com esse nome. O que ainda tenho é a visão de amanhã.”
Para João Paulo Vani, essa é uma das principais forças da obra: transformar uma experiência singular em uma reflexão capaz de alcançar diferentes leitores. “A verdadeira herança de uma vida não se mede pelas conquistas materiais, mas pelos afetos, pelas memórias e pelos vínculos que permanecem.”
(Colaborou Dandara Caroline)

Redação 



