As franquias e o pão nosso de cada dia
Falar de alimentação é falar de um dos mercados mais próximos da vida real. Comer é mais que uma necessidade. É hábito, conveniência, experiência e, cada vez mais, escolha. Por isso, observar o que acontece nas empresas de alimentação é uma boa maneira de entender para onde caminha o consumidor e, em certa medida, a própria economia.
Essa foi uma das reflexões que ficaram do Acirp Conecta V, realizado na última quinta-feira, dia 3, em São José do Rio Preto. Tive a oportunidade de mediar o encontro, que reuniu grandes players do mercado, entre plataformas de delivery, varejo e lideranças do segmento de alimentação. Em um bate-papo informal, mas rico em conteúdo, discutimos transformações que já estão acontecendo e movimentos que prometem provocar os negócios do setor.
Os dados mais recentes divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) ajudam a colocar essa conversa em perspectiva.
A Pesquisa Anual Setorial de Food Service ABF 2025-2026, realizada pela ABF com a GALUNION Inteligência Estratégica para Foodservice, revela que 94% das empresas pesquisadas registraram lucro no último ano e o segmento de Alimentação apresentou crescimento de 15,6% em faturamento, que alcançou R$ 79,862 bilhões no ano passado, em comparação com 2024. O número de lojas também avançou 3,1%, reunindo mais de 900 redes. No primeiro trimestre de 2026, frente ao mesmo período do ano anterior, o número de lojas cresceu 4,6%, enquanto o faturamento avançou expressivos 14,4%, somando R$ 19,594 bilhões.
Há também uma transformação silenciosa acontecendo no cardápio. Os efeitos dos medicamentos GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, começam a influenciar hábitos de consumo e a provocar mudanças nas ofertas de produtos. É mais um sinal de que compreender o consumidor deixou de ser diferencial e passou a ser requisito.
No panorama geral, o franchising brasileiro também demonstra força. A Pesquisa Trimestral de Desempenho da ABF aponta crescimento nominal de 9,3% no segundo trimestre de 2026, com faturamento de R$ 76,3 bilhões. No primeiro semestre, o avanço chegou a 9,7%, totalizando R$ 149 bilhões.
E, novamente, Alimentação – Food Service aparece entre os destaques, com crescimento de 13,7% no segundo trimestre.
As pesquisas nos trazem uma das principais lições do momento. O franchising não cresce apenas porque tem boas marcas. Cresce porque consegue estar perto do consumidor, entender suas necessidades e transformar mudanças de comportamento em novas oportunidades.
Do café da manhã ao jantar, da loja física ao aplicativo, o pão nosso de cada dia está mudando de formato. E quem souber acompanhar essas mudanças, com gestão, inovação e atenção genuína às pessoas, estará mais preparado para continuar crescendo.
No fim das contas, talvez seja justamente essa a força do franchising: fazer parte da rotina enquanto ajuda a construir o futuro.
Guto Covizzi
Diretor da ABF Interior São Paulo e diretor de expansão da Bella Capri Pizzaria

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