Novas tensões em Ormuz voltam a pressionar petróleo
O petróleo disparou mais de 9% nesta segunda-feira, 13, impulsionado pela intensificação das tensões entre EUA e Irã, após novas ameaças envolvendo o controle do Estreito de Ormuz e o endurecimento da postura de Washington contra Teerã. A commodity intensificou ganhos no fim do pregão com novos ataques retaliatórios do Iêmen contra a Arábia Saudita
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para agosto fechou em alta de 9,42% (US$ 6,73), a US$ 78,14 por barril, após renovar maior nível desde 17 de junho, a US$ 78,45 o barril. O petróleo Brent para setembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 9,59% (US$ 7,29), a US$ 83,30 o barril.
Ao longo do pregão, a escalada geopolítica ganhou força após Donald Trump afirmar que Washington retomará o bloqueio marítimo ao Irã e cobrará uma taxa equivalente a 20% sobre as cargas transportadas por Ormuz para custear a segurança da hidrovia. Mais cedo, Teerã havia rejeitado qualquer tentativa americana de controlar a passagem estratégica e ameaçado responder militarmente a ações que afetem a navegação na região.
Para Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, a disputa deixou de se restringir à possibilidade de fechamento de Ormuz e passou a envolver quem exercerá, na prática, o controle operacional da hidrovia. Enquanto não houver garantias verificáveis de livre navegação, afirmou, o mercado deverá continuar incorporando um elevado prêmio geopolítico aos preços do petróleo. O ING ainda acrescenta que a intensificação do confronto entre EUA e Irã renovou as preocupações com um aperto na oferta de petróleo ao longo do terceiro trimestre.
Em relatório divulgado nesta segunda, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduziu em 200 mil barris por dia (bpd) a projeção de crescimento da demanda global por petróleo em 2026, para 800 mil bpd, mas elevou na mesma magnitude a estimativa para 2027, para 1,9 milhão de bpd.
No noticiário do setor, o ministro do Petróleo do Irã, Mohsen Paknejad, afirmou que Teerã e Moscou estão próximas de concluir um acordo para o comércio de gás, restando apenas duas cláusulas pendentes de negociação.
BAIXA
O número de petroleiros que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu no último domingo, 12, para o nível mais baixo em dois meses, segundo dados do setor de navegação divulgados nesta segunda-feira, à medida que novos confrontos entre EUA e Irã e ataques a embarcações aumentaram preocupações com a segurança.
Fontes do setor de navegação afirmaram que as embarcações estão cada vez mais desligando seus transponders públicos de rastreamento AIS, dificultando o registro do número total de navios que cruzam a via navegável.
Com base nos dados disponíveis, o tráfego de petroleiros e gaseiros caiu para o nível mais baixo desde 25 de maio, de acordo com análise da Kpler.
“Caso a nova escalada de tensões no estreito leve a outro fechamento prolongado de Ormuz, o mundo se verá em uma situação muito mais difícil”, afirma a corretora marítima Gibson em relatório.
“Com os estoques globais se esgotando rapidamente nos últimos meses, isso é uma receita para uma oferta muito mais restrita, preços mais altos e um risco significativo de queda para os mercados de navios-tanque.”, diz o documento
O petroleiro Sea Faith estava entre as poucas embarcações visíveis navegando em direção à entrada do Estreito de Ormuz, próximo ao lado iraniano da via navegável, com destino a Sohar, de acordo com dados de rastreamento de navios da LSEG e da MarineTraffic nesta segunda-feira (13).
O tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz “continuou em níveis reduzidos”, informou o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), liderado pela Marinha dos EUA, em um comunicado no domingo.
“Os padrões de tráfego continuaram a refletir a cautela das operadoras após os recentes ataques.” (Com Agência Brasil)
Dólar tem alta e Ibovespa cai
O dólar acentuou o ritmo de alta frente ao real ao longo da segunda etapa de negócios, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior, diante da arrancada dos preços do petróleo, com o aumento das tensões no Oriente Médio, e de declarações duras de um diretor do Federal Reserve.
Embora o avanço da commodity possa se traduzir em melhora dos termos de troca do Brasil, o real não escapa — pelo menos em um primeiro momento — do movimento de redução da exposição de investidores a divisas emergentes, observam operadores.
Com máxima de R$ 5,1403, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,47%, a R$ 5,1323 — interrompendo uma sequência de três sessões de queda, em que acumulou desvalorização de 0,86%. A moeda americana recua 0,59% em julho, após avanço de 2,38% no mês passado. No ano, as perdas são de 6,50%.
No início da tarde, o diretor do Federal Reserve, Christopher Waller, alertou que pode ser necessário aumentar os juros se o núcleo do índice de inflação ao consumidor (CPI, em inglês) de junho — que será divulgado amanhã, 14 — for elevado. Além do CPI, investidores aguardam declarações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no Congresso americano na terça e na quarta-feira, 15.
O chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner, observa que o dólar tem apresentado bom desempenho com base na ideia de que o Fed vai subir os juros. “Na ausência de forward guidance, os indicadores terão um papel mais importante para o câmbio”, afirma, em nota, Turner, para quem o Fed não vai apertar a política monetária neste ano.
No caso do real, Turner pontua que, embora a moeda tenha sofrido recentemente com a alta global do dólar, a taxa de câmbio se mantém abaixo do nível de R$ 5,20. “A menos que haja uma escalada ainda maior dos preços do petróleo ou uma grande correção no mercado acionário que aumente a volatilidade, os próximos meses devem favorecer o real diante de juros implícitos de 13% (no Brasil)”, afirma Turner. (AE)

Redação 



