De férias, mas conectado, Coronel arruma confusão com petistas no WhatsApp

De férias, mas conectado, Coronel arruma confusão com petistas no WhatsApp
Coronel Fábio Candido e a primeira-dama Josiane Candido em férias: foto que o prefeito enviou no grupo de WhatsApp para provar que era ele quem falava - Reprodução/WhatsApp

Oficialmente gozando dias de férias em destino não revelado, o Coronel Fábio Candido (PL) passou as demandas administrativas para o vice, Fábio Marcondes (PL), mas dá mostras de que não consegue se desconectar das tretas políticas, algumas criadas por ele próprio nos ambientes digitais.

Nesta terça-feira, 14, o Coronel abdicou do descanso e reocupou as trincheiras para bombardear o PT de João Paulo Rillo pelo anúncio de filiação de um congênere dele na Polícia Militar, no caso o coronel da reserva e ex-comandante da Polícia Militar na região Azor Lopes Jr., catapultado hoje à condição de uma autoridade em segurança pública.

Sem bater diretamente em Azor, o Coronel se concentrou a desenterrar e postar em um eclético grupo de WhatsApp, que reúne jornalistas, políticos e autoridades de Rio Preto, reportagens de estranhamentos entre João Paulo e Azor num passado não tão distante.

Distribuiu ali também recortes de posicionamentos atribuídos ao PT ou a petistas que, segundo o prefeito em férias, são incompatíveis com quem combate a criminalidade. E bravateou, entre uma postagem e outra: “Para quem tem alguma dúvida sobre o posicionamento do PT e quem adere a suas pautas. É isso que queremos para Rio Preto? Nossa cidade jamais será vermelha! Lutaremos até o último minuto para continuarmos livrando nossa cidade da esquerda raiz e da esquerda caviar que está se formando!!!”

Não demorou muito para o presidente do diretório municipal do PT, Carlos Alexandre, surgir em cena para uma tentativa de “resposta conciliadora”, num textão gigante para os padrões do conflagrado espaço ocupado por bolsonaristas, lulistas e os nem-nem (nenhum dos dois).

“@Coronel Fabio Candido, a política exige menos rótulos e mais resultados práticos para a nossa população. O debate público não deve ser pautado pela tentativa de demonizar adversários ou pela criação de ‘fantasmas’ ideológicos, mas sim pelo que realmente importa para Rio Preto: geração de emprego, eficiência na saúde, zeladoria urbana e desenvolvimento econômico”, começou Carlos Alexandre, que falou ainda em pluralidade na falência do discurso de “nós contra eles” e em “sectarismo ideológico”, procurando não se mostrar um radical amotinado.

“Que possamos elevar o nível da nossa discussão (…) sem precisar de muros ideológicos ou retórica de divisão”, diz outro trecho da interminável dissertação de Carlos Alexandre.

Diante da sugestão de outro integrante do grupo de que as alfinetadas se davam por meio de um assessor do mandatário municipal, Coronel postou uma foto ao lado da mulher, para provar que era ele mesmo no embate: “Aliás, antes que digam que estou usando horário de expediente para debater aqui, estou de férias, usando parte do meu tempo para dar um pouco de atenção à minha família. Mas já volto no final de semana”, completou ele. Então tá.

NOTAS 
NO INSTA 1

No Instagram, aliás, o seguidor incauto ou desinformado sequer percebe que o Coronel Fábio Candido (PL) está de férias. Lá, sim, sua diligente assessoria tem mantido uma rotina de postagens do prefeito em descanso, fazendo reuniões com vereadores, em contatos com populares e se posicionando sobre assuntos aleatórios. Material, claro, previamente produzido e usado para que ninguém sinta “saudades” do mandatário municipal.

NO INSTA 2

Estratégia que explica a “discrição” de Fábio Marcondes (PL) nesta curta temporada encarnando o papel de prefeito em exercício. Agenda pública quase inexistente e nenhum barulho em suas redes sociais. Pelo jeito, o sermão do Fábio titular na cabeça do Fábio vice foi poderoso.

MAIS TIROS 1

Os deputados estaduais Itamar Borges (MDB) e Valdomiro Lopes (PSB) também escolheram as redes sociais para nova ofensiva ao Coronel Fábio Candido (PL). O emedebista pegou carona na polêmica decisão do governo de colocar à venda 54 áreas municipais, com promessa de destinar 80% dos recursos arrecadados para tapar o buraco sem fundo das contas da Riopretoprev e os 20% restantes em um fundo ligado à Secretaria de Obras, de Fábio Marcondes (PL). “Essas áreas públicas podem se transformar em praças, escolas, creches, postos de saúde e até no tão necessário Centro TEA Regional”, criticou Itamar. Vale lembrar que Edinho Araújo (PRD), padrinho do deputado estadual na eleição a prefeito em 2024, também lançou mão da venda de áreas públicas para tentar turbinar os cofres municipais.

MAIS TIROS 2

Valdomiro Lopes, por sua vez, mirou o projeto Smart Rio Preto, fazendo eco a uma representação pública feita ao Tribunal de Contas do Estado, apontando supostas irregularidades no contrato com o consórcio que vai assumir o serviço, formado pelas empresas Companhia Brasileira de Infraestrutura, CLD Infraestrutura e 3 JM Construtora e Incorporações.

MAIS TIROS 3

“Prefeito, explique por que apenas um único consórcio de empresas participou da licitação que prevê um repasse da Prefeitura de R$ 4.800.000,00 por mês. Explique ainda por que o custo por morador de Rio Preto é de R$ 9,99, enquanto o custo por morador da cidade de São Paulo, do Smart Sampa, custa apenas 80 centavos por pessoa por mês”, provocou Valdomiro, cujo PSB, que ele conduz por aqui com mãos de ferro, segue integrando cargos no governo coronelista.

REFORÇO 1

Em decisão desta terça-feira, 14, o ministro do STF Flávio Dino reforçou a fiscalização sobre emendas parlamentares e afirmou que apenas deputados e senadores podem indicar recursos do Orçamento da União. Na decisão, ele critica práticas informais de distribuição de emendas e diz que não há espaço para "terceirização" dessa atribuição. O objetivo, segundo o relator, é garantir transparência, rastreabilidade e respeito às regras constitucionais.

REFORÇO 2

O posicionamento do ministro do STF ocorre no rastro do bloqueio de R$ 119 milhões do cacique nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que, segundo investigação da Polícia Federal, indicou emendas ao orçamento da União por meio de terceiros, no caso os deputados federais Luiz Carlos Motta (PL), que é de Rio Preto, Sóstenes Cavalcante (PL), do Rio de Janeiro, e Capitão Alden (PL), da Bahia. O político rio-pretense vem afirmando que as emendas relacionadas a ele não fazem parte de suas emendas individuais impositivas, tratando-se de emendas de comissão, cujas indicações foram feitas pela liderança do partido durante o orçamento de 2024, quando ele era relator do projeto.

DANOS MORAIS

Deputado federal e candidato à reeleição com domicílio eleitoral em Rio Preto, Paulo Bilynskyj (PL) foi condenado pela Justiça do Distrito Federal a pagar R$ 15 mil por danos morais ao PT. O parlamentar bolsonarista, que conta com mais de um milhão de seguidores no Instagram, postou vídeo em seus perfis nas redes sociais em que, sem apresentar provas, associava o partido e o presidente Lula ao tráfico internacional de drogas e a organizações criminosas. A decisão é de primeira instância, cabe recurso, e o valor fixado foi metade dos R$ 30 mil pedidos pela legenda. Ele também terá de apagar as postagens.

Crise nas relações...
A situação anda no mínimo esquisita entre o vereador Abner Tofanelli (PSB), seus assessores de gabinete e representantes de uma das suas principais bases eleitorais. A organização da Parada LGBTQIA+, por exemplo, que acontece no próximo dia 11 de outubro e recebeu emenda de R$ 100 mil do pessebista, fechou recentemente parceria com a OSC Maquininha do Futuro, entidade umbilicalmente ligada ao vereador governista e pré-candidato a deputado estadual Bruno Moura (PL). Pelo acordo, os participantes do evento serão estimulados a doar um quilo de alimento que serão revertidos à entidade. A aproximação dos realizadores da Parada com Bruno Moura teria ainda um subentendido apoio ao pleito deste ano. Questionado sobre a parceria, Carlos Ricceli, presidente do Movimento Mais Orgulho Rio Preto e organizador da Parada, não respondeu. No gabinete de Abner existe também uma crise instalada, segundo a Coluna apurou. O chefe de gabinete, João Castelli, pediu exoneração e segue na função somente até sexta-feira, 17. Antes dele, outro assessor, Jonathan Cavalcante, também se desligou. Procurado, Abner não respondeu à Coluna. No entorno dele, o discurso é de que “anda muito difícil trabalhar” com o vereador, que estaria se recusando a ouvir seu pessoal mais próximo e “metido os pés pelas mãos” em várias situações.