Associação diz que taxas de cartórios seguem lei estadual

Associação diz que taxas de cartórios seguem lei estadual
Fábio Marcondes, então prefeito em exercício, debateu nova planta com representantes de cartórios - Divulgação/Prefeitura de Rio Preto

Associação que representa todos os cartórios do Estado de São Paulo divulgou nota nesta quarta-feira, 21, na qual afirma que valores cobrados sobre serviços realizados nestes locais seguem legislação estadual.

A Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo (Anoreg/SP) se posicionou  um dia depois de o prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), afirmar que pediu aos cartórios de registro de imóveis e cartórios de notas que façam cobranças de valores de serviços com base na negociação de compra e venda de imóveis, e não pelo maior valor. Ele também afirmou que pretende acionar até o Ministério Público caso isso não ocorra.

A associação diz seguir a lei estadual que prevê em sua tabela de serviços o uso da base de cálculo pelo maior valor. "A entidade destaca ainda que os cartórios são obrigados a cumprir exatamente o que consta em lei, cabendo aos órgãos estaduais competentes legislarem sobre eventual alteração", afirma a nota assinada pelo vice-presidente da entidade, Demades Mario Castro. 

A mudança na Planta Genérica de Valores (PGV) passou a valer neste ano, com base em lei aprovada no ano passado. A lei criou uma trava para que reajuste de IPTU, imposto calculado com base na planta genérica, não fique acima de 20% do valor cobrado em 2025. Os carnês começarão a ser divulgados neste mês, com possibilidade de desconto de 5% no caso do pagamento à vista. 
Nos cartórios, no entanto, a nova planta provocou "efeito cascata" já no início do ano nos emolumentos (valores cobrados) para os serviços realizados nesses locais, o que provocou pedidos de vereadores aliados ao governo de mudanças na nova planta.

Na terça, o prefeito afirmou que, no caso da cobrança do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que é municipal, é dada a opção, prevista na lei, de pagamento pelo valor da negociação e não pelo maior valor. Também descartou novas alterações na lei aprovada em setembro na Câmara. 

A nova planta também é usada para cobranças de serviços dos cartórios, que utilizam a regra do maior valor. Há casos registrados de aumento de 10 mil por cento no valor venal de imóveis de Rio Preto, o que tem impactado os cartórios. Corretores de imóveis relataram à reportagem dificuldades para concretizar negociações em função da nova planta de valores. Além de taxas, há queixas de que o valor venal está muito acima do valor de venda dos imóveis, em especial em chácaras de recreio ou mesmo em bairros da cidade.

 A Anoreg afirmou na nota que "o valor dos serviços prestados é tabelado por lei estadual, a quem compete legislar sobre esta matéria". De acordo com a associação, a lei estadual "por sua vez é proposta pelo Poder Judiciário, aprovada pelo Poder Legislativo e sancionada pelo Poder Executivo, cabendo aos titulares de suas unidades o estrito cumprimento ao que está previsto em lei" (leia a íntegra no portal do Diário).

Com o posicionamento desta quarta, a associação sinaliza que o pedido sobre emolumentos, feito pelo prefeito, não será atendido nos cartórios. Na terça, o Coronel afirmou que as taxas não são definidas pelo município, mas que havia solicitado que fosse adotado valor de compra e venda - o menor valor - junto à Corregedoria Geral de Justiça e que, se necessário, o município "vai representar junto ao Ministério Público para que o direito do contribuinte e do cidadão seja preservado".

A reportagem solicitou posicionamento da assessoria da Prefeitura sobre a nota da associação, mas não teve resposta.

IMPASSE 

A mudança na nova planta genérica aprovada na Câmara resultou em reclamações inclusive de parlamentares da base de Coronel Fábio Candido no Legislativo. Alguns aliados já chegaram a defender até a revogação da nova planta, mantendo as demais normas previstas na lei.

As reclamações começaram logo no dia 5, quando a nova planta passou efetivamente a valer. Na ocasião, o prefeito interino, Luciano Julião (PL), chegou a receber críticas de sete vereadores da base do governo sobre a situação. Ele afirmou que a Prefeitura formou uma comissão para avaliar casos de alguma "discrepância" de valores. Coronel Fábio Candido e o vice, Fábio Marcondes (PL), estavam de férias.

Dias depois, em 14 de janeiro, Marcondes, na condição de prefeito em exercício, se reuniu com representantes de cartórios para tratar do assunto . Na ocasião, a assessoria da Prefeitura afirmou que "foi firmado o compromisso de atuar em parceria, acompanhando de perto os impactos identificados e promovendo as revisões necessárias que eventualmente surjam no curto período de análise, considerando que a nova planta trouxe efeitos relevantes especialmente nos emolumentos cartorários e no imposto estadual (ITCMD)".

Ao retornar ao cargo nesta semana, Coronel Fábio Candido defendeu a nova planta, descartou alterações e afirmou ter notificado os cartórios. Também disse que os valores estavam há 12 anos sem atualização.

MP

Na avaliação do promotor Sérgio Clementino, a Prefeitura deve rever, por exemplo, casos de imóveis com valor venal acima do praticado no mercado. Ele também falou sobre efeitos da mudança na PGV.

“O município mudou o valor venal e isso reflete em IPTU e também sobre emolumentos e valores cobrados em cartórios, que seguem normas previstas em lei estadual. Se o valor venal está errado, tem de mudar", afirmou o promotor.

"Não pode o valor venal ser maior que o valor de mercado. Valor acima do mercado resulta em uma tributação equivocada. O município tem de criar mecanismos para que o contribuinte possa questionar distorções. Isso reduz casos de judicialização", disse Clementino.