Pecuária de leite exige planejamento e eficiência no campo

Pecuária de leite exige planejamento e eficiência no campo
Gado de leite exige maior atenção com planejamento no campo - Divulgação

A queda no preço do leite no campo vem estreitando a margem de lucro do pecuarista e, para manter a atividade mais eficiente com os custos, a organização com a compra dos alimentos para os animais, nesta época do ano, deve ser mais cuidadosa. Diante deste cenário, e segundo o levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a desvalorização no preço do litro de leite pago ao pecuarista em 2025 foi de 25,8%, em comparação com o ano anterior.

Na avaliação dos pesquisadores do Cepea, os seguidos recuos de preços são explicados pelos altos estoques de derivados do leite, além das importações brasileiras que ajudaram a manter o alto volume destes produtos no último bimestre de 2025.

Para o pecuarista Eder Augusto Duarte, de Urupês, os preços pagos no campo não aumentaram neste início de 2026. “Hoje, do laticínio recebo R$ 2 pelo litro do leite e, por isso, direcionei a captação para a produção de nossos queijos artesanais”, explica o produtor ao apontar que os ganhos com a queijaria podem contribuir com a maior lucratividade da atividade leiteira.

Manejo do rebanho

Segundo o médico veterinário, Ricardo Santos Silva, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), de Catanduva, as possíveis falhas na produção leiteira, especialmente em período de baixas nos preços, podem comprometer a lucratividade da propriedade. Ele destaca a importância na gestão, com a organização do rebanho e o planejamento do pecuarista na compra de insumos e de alimentos para os animais.

“A recomendação é que o produtor tenha a dieta ajustada para o rebanho e, também, a quantidade de animais da propriedade, entre fêmeas e a recria. Quanto maior o número de vacas em lactação, melhor será o custo de produção e a diluição destes gastos”, disse Ricardo.

O pecuarista Renato Bovoni trabalha com a ordenha diária de 390 litros de leite, no município de Paraíso. Ele também conta que, atualmente, possui 17 fêmeas em lactação, com total de 26 animais no rebanho. “Faz mais de oito meses que os preços do litro do leite só vêm despencando para os produtores. Já os insumos têm custos altos, como o preço do milho, que em determinados momentos tiveram queda e agora, por exemplo, voltaram a subir”.

Apesar de uma margem apertada para o pecuarista, com os preços caindo desde 2025, Renato acrescenta que conseguiu manter a eficiência no campo e fechar as contas. “Sempre fazemos o controle da ração, o balanceamento da dieta dos animais, e com isso economizamos nos preços dos alimentos”.

Custos em alta

 

Conforme a pesquisa do Cepea, os custos de produção da pecuária leiteira aumentaram em janeiro de 2026. Esse cenário e a baixa nos preços da matéria-prima, sinalizam um alerta para o pecuarista, já que apertam ainda mais as margens, afetando diretamente o poder de compra. O estudo destacou os produtos mais utilizados na alimentação do gado, como o milho e o farelo de milho, além de insumos como os fertilizantes e as operações mecanizadas, que elevaram o custo da produção de leite.

Após iniciarem o ano em queda, os valores do milho voltaram a se recuperar no mercado doméstico nos primeiros dias de fevereiro. Esse aumento, segundo o levantamento, se deve à limitação de oferta do cereal.

Apesar de no mês de janeiro, o preço do milho registrar queda de 2,44% em relação a dezembro, enquanto a soja teve desvalorização ainda mais expressiva, de 7,77%, o estudo mostra que o poder de compra do pecuarista diante dos preços desses grãos não registrou avanço.

“Os preços pagos no campo caíram muito e os investimentos para a compra de insumos também exigiram mais atenção, com alguns períodos de baixa no valor do milho, mas agora observamos o aumento no preço do cereal”, pontua Renato.

Na avaliação do pecuarista, esse impacto de preços no custo da produção leiteira e a queda no valor do litro de leite no campo foram impulsionados pelo grande volume de lácteos importados pelo Brasil, especialmente o leite em pó. (CC)

Alimentos e a pastagem para a estiagem

 

Produtores de leite se organizam, na região, para o plantio de forrageiras ou capineiras durante o período das chuvas com o objetivo de garantir uma pastagem de qualidade e reforçar a alimentação do rebanho para a época de seca. As opções de alimento volumoso também são importantes, como a cana-de-açúcar e as silagens de milho e de farelo de soja.

Esse planejamento dos alimentos traz ainda o cálculo para os investimentos na compra dos alimentos ou no plantio da pastagem. “Agora é o momento de o pecuarista planejar o que será oferecido para os animais no inverno, que é o período de seca. Outra estratégia, a reserva de uma área para o pasto, sem animais e depois levá-los na época de estiagem para essa pastagem”, explica a médica veterinária Fabiana Sabino.

O uso de alimentos concentrados, como a ração animal tem custos que o pecuarista deve programar, caso seja necessário uma suplementação da dieta. Nas propriedades leiteiras do Noroeste paulista, uma alternativa que vem sendo adotada pelos pecuaristas é a forrageira com a semeadura de inverno, com opções de azevém e de aveia.

A partir de abril, Renato Bovoni deve fazer o plantio do azevém e conta que tem obtido bons resultados no reforço do alimento para o período do inverno. “Por enquanto as chuvas estão contribuindo com a pastagem, e agora já estamos preparando o solo para no mês de abril fazer a semeadura do azevém e da aveia”, ressalta. (CC)