Goiaba tailandesa amplia produção nos pomares da região

Goiaba tailandesa amplia produção nos pomares da região
Plantios de goiaba se destacam no Noroeste paulista - Divulgação

A goiaba tailandesa conquistou o consumidor brasileiro da fruta e despertou o maior interesse de fruticultores do Noroeste paulista na expansão dos pomares. Conhecida ainda como suprema, a variedade se destaca pelo tamanho, que pode pesar até 900 gramas, um atrativo para o mercado de frutas de mesa. Na região, produtores da tailandesa investiram em sistema de irrigação e na poda contínua das árvores, tecnologias que garantem a maior produtividade anual da plantação.

O avanço na colheita da goiaba, na propriedade rural de Júlio Shimazaki, já demonstrou que a safra deste ano deve ser ainda mais produtiva, o que impulsionou o fruticultor a investir em áreas irrigadas das árvores. No início de 2026, ele conta que a oferta maior da fruta e a falta de chuva na região impactaram na menor lucratividade dos produtores.

“Com o manejo de poda contínua para a tailandesa, temos colheita durante todo o ano, sendo que o mês de junho está mais apropriado na questão do clima. O mercado da fruta para esse segundo semestre está sendo bem promissor nos preços, que estão remunerando melhor”, comentou.

Preços

Enquanto nas gôndolas de supermercados o quilo da goiaba tailandesa pago pelo consumidor chega a custar mais de R$ 20, nos pomares os produtores comercializam a fruta entre R$ 3,50 e R$ 4,50. “Esse cenário é para o segundo semestre, porque em meses anteriores os produtores estavam com dificuldades de encontrar compradores e por conta do preço mais baixo pago pelas indústrias”, afirmou.

Na cidade de Paraíso, região de Catanduva, Valdecir Baldo conta que as vendas da goiaba tailandesa ainda não atingiram preços muito compensadores. “Hoje, os preços estão em R$ 1,20 o quilo, sendo que a caixa (de 10 quilos), com as goiabas embaladas, é vendida por R$ 11”. O principal destino da fruta comercializada por Valdecir é o entreposto do Ceasa de São Paulo.

No início do ano, Valdecir calcula que a queda dos preços atingiu 30% das vendas. No entanto, o fruticultor investiu na produção da tailandesa e erradicou áreas de outras frutas, como o limão e a laranja, que também não estavam dando resultados com a lucratividade no campo.

Ele comenta ainda que o mercado de mesa (in natura) atende mais à rentabilidade dos fruticultores. “É uma goiaba que atrai o consumidor e paga melhores preços para os produtores. Esse ano, as áreas de goiaba foram ampliadas e passaram de 6,5 mil plantas para 7,0 mil árvores no nosso pomar”, pontua.

Os fruticultores ainda destacaram a dificuldade com a mão de obra para a colheita, que impacta no custo de produção. “Como a tailandesa é embalada uma a uma, existe a falta de funcionários para esse trabalho, mais delicado também na colheita”, ressaltou Júlio.

Cultivos se destacam no estado paulista

 

A produção de goiaba demonstra desempenho importante no estado de São Paulo. Conforme levantamento de safra de 2025 do Instituto de Economia Agrícola (IEA), o cultivo da fruta para mesa registrou 579,5 mil pés em fase produtiva e 28,9 mil pés novos, com uma estimativa de produção de 45,5 mil toneladas no estado.

Os estados de São Paulo e Pernambuco alternam em liderança da produção brasileira de goiaba. Entre o período de janeiro a março, a goiaba de mesa atinge a maior produção, o que, segundo os produtores da região Noroeste, vem modificando a safra por conta do clima mais seco, impulsionando o investimento em irrigação das áreas.

Já a goiaba destinada às indústrias — com a fabricação de doces, sucos e geleias — lidera em volume e estrutura. Segundo dados do IEA, são 953,4 mil pés em produção e um total de 215,2 mil pés novos, projetando uma colheita de 83 mil toneladas no ano de 2025.

Com a menor concentração de indústrias na região Noroeste, fruticultores atuam na produção de goiaba de mesa, como a tailandesa, de maior aceitação no mercado consumidor. Valdecir Baldo explica que se dedica ao plantio da tailandesa desde o ano de 2009, o que ele considera uma estratégia para comercializar a fruta com preços mais lucrativos em comparação às destinadas para a indústria.

O agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), Francisco Marucca, disse que, há alguns anos, ao conhecer a variedade tailandesa, alguns produtores passaram a investir mais na produção de goiaba de mesa no estado de São Paulo.

“Recentemente, alguns produtores descobriram as vantagens da variedade tailandesa, que apresenta características interessantes, com plantas de alta produtividade, a dimensão dos frutos e de poucas sementes, além de melhor resistência da fruta à logística de transporte até os grandes centros de abastecimento”, avaliou. (CC)

Nematoide traz prejuízo

 

Apesar de a cultura da goiaba apresentar variedades mais produtivas e resistentes ao ataque de pragas e doenças, a incidência de nematoide no solo ainda preocupa fruticultores da região. “O nematoide causa a infecção no sistema radicular das goiabeiras e temos que estar alerta com as infestações de nematoide”, disse Júlio.

Os prejuízos causados pelos nematoides nos pomares podem ter impacto na produção da fruta. De acordo com especialistas na cultura, a partir do ano de 2002, registrou-se grande queda produtiva da goiaba no estado de São Paulo, relacionada à presença do nematoide-das-galhas em goiabeiras irrigadas. Além disso, pragas como a mosca da fruta e a doença da pinta-preta também causam danos aos plantios de goiaba. (CC)

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Na colheita de Júlio Shimazaki, trabalhadora mostra o tamanho atrativo da tailandesa