Avanço no ciclo pecuário movimenta negócios na região de Rio Preto

Avanço no ciclo pecuário movimenta negócios na região de Rio Preto
Pecuária de corte tem movimento de alta nos preços e na demanda - Divulgação

Pecuaristas do Noroeste paulista estão otimistas com a produção de carne bovina neste ano de 2026, apesar do maior abate de fêmeas nos últimos dois anos, que provocou a escassez de bezerros no mercado. Esse cenário é o que ocorre com o avanço do ciclo pecuário e resultou na maior valorização dos preços dos bezerros. Além disso, especialistas e produtores observam a forte alta nas exportações que deram mais ritmo aos negócios no campo.

“A cada sete anos, a pecuária de corte tem esse movimento de alta ou baixa, com o ciclo pecuário, ocorrendo não apenas no Brasil, mas em todos os países que se dedicam à produção de carne bovina. E neste ciclo atual, a maior valorização está na criação, com os preços dos bezerros, que dispararam”, afirma o pecuarista de Rio Preto, Maurício Belodi.

De acordo com Maurício, a demanda da proteína está aquecida, porém, ele avalia que a retenção de fêmeas e a menor disponibilidade de bovinos também sinalizam o alerta para a pecuária de corte, no mercado interno. “Mas temos visto uma maior disponibilidade do mercado internacional para escoar o produto. As exportações brasileiras de carne bovina cresceram muito em janeiro deste ano, apontando para um mercado firme”.

A pecuarista Gabriela Rodrigues, que mantém a criação de bovinos em Potirendaba, conta que está animada com a pecuária de corte, com boas expectativas de vendas e com a alta no preço não só do bezerro, mas na valorização da arroba do boi gordo. “Hoje, a cotação é de R$ 340, mas a expectativa é de atingir o preço de R$ 400. Porém, isso deve acontecer só em 2027”.

Abates

Em 2025, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil atingiu um recorde no abate, com 42,5 milhões de cabeças de bovinos. O volume abatido no ano passado foi 8,2% superior ao de 2024. Além disso, o IBGE analisou que o abate no ano passado ainda ficou 25% acima do de 2023 e também 42,6% maior que o de 2022.

Na análise de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os dados sobre o volume de abate de bovinos indicam uma ampliação da oferta no curto prazo, com o avanço do ciclo pecuário e do elevado descarte de fêmeas.

Apesar de o recorde de abate sinalizar um crescimento na oferta de carne bovina, o estudo do Cepea aponta que o forte desempenho das exportações ajudou a escoar esse maior volume, garantindo os preços pagos ao produtor e a competitividade de mercado ao longo de 2025.

Bezerros devem garantir rentabilidade

 

Com demanda aquecida e o Brasil atingindo recordes com a exportação de carne bovina, especialistas apontam que os produtores que estão na atividade da cria — manejo com bezerros — têm maior potencial de lucratividade se comparado à reposição de animais. Os preços da comercialização do bezerro registraram maior valorização, elevando as vendas que variaram entre R$ 15 e R$ 17, o quilo.

A pecuarista conta que trabalha com as três etapas da atividade de gado de corte na fazenda, e a cria está compensando muito e puxando a comercialização dos animais neste início de ano. “Comercializamos bezerros a R$ 15 no mês de janeiro, mas as negociações, agora, já ultrapassaram esse valor e atingiram o preço de R$ 17.”

Gabriela comentou ainda que o abate de fêmeas foi muito alto, o que impacta diretamente nos preços dos bezerros e da arroba do boi. “Está compensando, no nosso caso, e sendo um bom negócio vender os bezerros ao contrário do que normalmente fazemos, ou seja, criar o animal para a engorda”, disse a produtora.

Para a médica veterinária Fabiana Simão, a atividade da pecuária para o produtor que se dedica à criação está muito favorável. “O mercado está em alta para a comercialização de bezerros neste ano. Porém, no próximo ciclo — considerando que neste ano teremos um número maior de partos —, em 2027 essa atividade da pecuária pode ser menor”, ressaltou.

Fabiana ainda avaliou o ritmo em alta da pecuária de corte, com expectativa de permanecer durante o ano de 2026. “A arroba do boi está subindo forte e alguns estudos apontam que, até o mês de setembro, a cotação deverá atingir o preço de R$ 400. Além disso, os abates continuam com escala cheia e as exportações de carne bovina só aumentando, mesmo com a China impondo cotações nas vendas para o Brasil.” (CC)

Mercado externo em alta

 

As exportações brasileiras de carne bovina registraram crescimento em janeiro deste ano, com aumento no volume dos embarques 16,4% maior frente ao mesmo período de 2025, além de movimentar o total de US$ 1,416 bilhão em receita ao País, indicando crescimento de 37,9% em relação a janeiro do ano passado. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, e compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Principal mercado internacional, a China importou volume de carne bovina 43,1% maior que o do mesmo período anterior e 45,9% a mais em receitas, em relação ao mesmo período anterior.

De acordo com a Abrafrigo, as vendas de carne bovina para a China em 2026 serão limitadas pela cota de 1,1 milhão de toneladas, uma medida comercial anunciada pelo governo chinês no final de 2025. Os volumes extra cota estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, o que poderá dificultar a exportação brasileira do produto, com os negócios acima do limite estabelecido. (CC)

Imagem da matéria

A pecuarista Gabriela Rodrigues está animada com o desempenho da pecuária de corte em 2026