Construção civil amplia emprego em 295% e sinaliza novo período de obras em Rio Preto
A construção civil ganhou peso na geração de empregos em Rio Preto no primeiro semestre de 2026, em um movimento acompanhado por aumento no número de obras e investimentos anunciados por incorporadoras. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor abriu 1.538 vagas líquidas entre janeiro e junho, avanço de 295,37% em relação ao saldo registrado no mesmo período de 2025, quando foram criados 389 postos.
O resultado foi produzido principalmente pelo aumento das contratações. As empresas da construção realizaram 6.260 admissões no primeiro semestre, alta de 27,91% em relação às 4.894 registradas no mesmo intervalo do ano passado. Já os desligamentos passaram de 4.526 para 4.722, crescimento de 4,42%.
O desempenho colocou a construção civil como um dos principais motores do mercado de trabalho rio-pretense no semestre. O setor respondeu por quase 40% das 3.899 vagas líquidas criadas no município no período. Serviços, com 2.127 novos postos, foi o maior gerador em números absolutos.
Somados, construção e serviços foram responsáveis por cerca de 94% do saldo de empregos de Rio Preto no primeiro semestre. O resultado ocorre em um cenário de expansão também em outros indicadores econômicos.
Para o diretor do Centro de Estudos Econômicos da Acirp, Luciano Solimar Impastaro, o semestre terminou com sinais positivos em diferentes dimensões da economia, embora ainda concentrados em alguns setores. “Rio Preto encerra o primeiro semestre com sinais positivos em diferentes dimensões da economia. Os próximos meses serão importantes para sabermos se esse movimento ganha força e se espalha para outros setores.”
O economista Adnan Jebailey, da Acirp, afirma que o avanço da construção chama atenção, mas recomenda cautela na interpretação do dado. Segundo ele, o setor trabalha em ciclos de obras e investimentos, e ainda não é possível afirmar que o desempenho do primeiro semestre represente uma mudança estrutural. “A construção civil teve um papel excepcional na geração de empregos neste primeiro semestre”, afirma.
MAIS OBRAS
As incorporadoras apontam um mercado aquecido e novos investimentos como parte do cenário que sustenta a demanda por trabalhadores.
Na Tarraf Incorporadora, o número de canteiros em Rio Preto permaneceu praticamente estável em relação ao ano anterior, mas o avanço físico das obras e a abertura de novas frentes de trabalho elevaram em 15% o número de trabalhadores diretos e indiretos.
A empresa mantém cinco canteiros na cidade, segundo o vice-presidente Olavo Tarraf Filho, que somam R$ 671 milhões em investimentos, considerando terreno, obra e incorporação. Em 2027, estão previstos dois novos canteiros. O executivo afirma que a demanda por imóveis permanece consistente, especialmente no segmento econômico.
“O mercado imobiliário está aquecido em Rio Preto, com demanda consistente e espaço para novos empreendimentos”, diz Tarraf. Segundo ele, o aumento dos lançamentos e das obras movimenta também fornecedores e demais empresas ligadas à cadeia da construção.
Na Hugo Fabbri Incorporadora, o movimento também envolve ampliação dos canteiros e dos investimentos. A empresa está atualmente com quatro obras em andamento e deve chegar a cinco, com investimentos de aproximadamente R$ 600 milhões. Para três novos empreendimentos, previstos entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro de 2027, a previsão é de mais R$ 600 milhões.
O presidente da incorporadora, Hilton Hugo da Silva Fabbri, observa uma mudança na procura por imóveis, com maior interesse por empreendimentos verticais. Segundo ele, fatores como deslocamento e proximidade do trabalho têm contribuído para a procura por apartamentos. “Tem-se olhado muito para o vertical em Rio Preto, para ter um pouco mais de qualidade de vida e de tempo disponível”, afirma.
ESCASSEZ
O avanço das obras, porém, também começa a expor um dos principais gargalos do setor: a disponibilidade de trabalhadores qualificados.
Tarraf afirma que a empresa enfrenta escassez de pedreiros, carpinteiros, eletricistas, encanadores e ajudantes de serviços gerais. Para preencher as vagas, a incorporadora ampliou a busca por profissionais de outras regiões e passou a trabalhar com empresas especializadas em recrutamento e deslocamento de mão de obra. A estratégia inclui a oferta de alojamentos para os trabalhadores.
Na Hugo Fabbri, a dificuldade é considerada generalizada e atinge desde funções operacionais até profissionais de gestão e administração. A maior restrição, porém, está nos canteiros.
Para contornar o problema, Fabbri afirma que o setor está acelerando a adoção de tecnologia e processos industrializados. A lógica é elevar a produtividade e executar um volume maior de obras com o mesmo contingente. “O número de novos trabalhadores não aumenta” diante do volume de obras, afirma.
O diretor-regional do SindusCon-SP, Rafael Coelho, avalia que os números do Caged mostram a capacidade de geração de emprego e renda do setor e refletem a confiança dos agentes econômicos no potencial de crescimento de Rio Preto e região.
“A construção civil tem papel fundamental na geração de emprego e renda em Rio Preto. Os dados do Caged mostram a força e a resiliência do setor, que continua criando oportunidades e movimentando uma ampla cadeia produtiva”, afirma.

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