Hambúrguer artesanal ganha força e impulsiona cadeia de fornecedores em Rio Preto

Hambúrguer artesanal ganha força e impulsiona cadeia de fornecedores em Rio Preto
ados da consultoria Kantar mostram que as ocasiões de compra de hambúrguer cresceram 228% entre o primeiro trimestre de 2020 e o primeiro trimestre deste ano - Divulgação

O hambúrguer consolidou-se como um dos principais motores do setor de alimentação fora do lar no Brasil e vem impulsionando uma cadeia que envolve desde hamburguerias artesanais até fornecedores especializados em carnes, pães, molhos e logística. Em Rio Preto, o quitute, que tem no dia 28 de maio o seu dia "comemorativo" vê o avanço do segmento, que acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, cada vez mais influenciado por redes sociais, delivery e experiências gastronômicas com forte apelo visual.

Dados da consultoria Kantar mostram que as ocasiões de compra de hambúrguer cresceram 228% entre o primeiro trimestre de 2020 e o primeiro trimestre deste ano. Apenas nos três primeiros meses de 2026, 47 milhões de brasileiros consumiram hambúrgueres em cerca de 113 milhões de ocasiões de compra.

O levantamento aponta ainda que 47% do consumo ocorre fora do estabelecimento, puxado principalmente por pedidos “on the go” e aplicativos de delivery, que respondem por 33% e 28% das compras, respectivamente. O público predominante é formado por mulheres (52%), consumidores entre 18 e 29 anos (39%) e classes A e B (47%).

Em Rio Preto, esse movimento aparece na expansão das hamburguerias artesanais e no crescimento das operações digitais. A CH Burguer’s, por exemplo, já vende cerca de 25 mil hambúrgueres por mês em suas três unidades — duas em Rio Preto e uma em Bady Bassitt — em uma operação sustentada principalmente pelo delivery e pelo marketing digital.

Segundo Jonas Ferreira, sócio da rede, o setor passou a disputar atenção nas redes sociais tanto quanto no salão. “Hoje, o cliente busca sabor, mas também experiência e impacto visual. A comida passou a ser consumida primeiro pelos olhos”, afirma.

A estratégia da empresa inclui forte investimento em vídeos conhecidos como “food porn”, com explosões de queijo, cortes e finalizações desenvolvidas para gerar engajamento e desejo imediato nas plataformas digitais. Produtos como o “CH Provocante”, feito com provolone empanado, e hambúrgueres com costela desfiada e queijo gratinado estão entre os principais responsáveis pelo alcance digital da marca.

“O marketing visual virou nossa principal vitrine. Não competimos apenas por preço, mas pela experiência completa, desde a imagem até a entrega”, diz Ferreira.

O crescimento do delivery também obrigou o setor a ampliar investimentos em logística e padronização operacional. Segundo o empresário, velocidade e qualidade na entrega passaram a ser fatores críticos para a fidelização do consumidor. “Não adianta gerar desejo no celular se o produto chega frio ou atrasado. A logística hoje faz parte da experiência”, afirma.

FORNECEDORES

O avanço das hamburguerias artesanais também abriu espaço para empresas fornecedoras especializadas. Em Rio Preto, a Benny’s Alimentos nasceu inicialmente como central de produção do Bernardino’s Lanches e acabou transformando a estrutura em uma operação voltada ao abastecimento de hamburguerias e restaurantes da região.

A empresa fornece hambúrgueres artesanais padronizados para estabelecimentos de diferentes cidades do interior paulista, além de atender hotéis e operações turísticas em Olímpia.

Segundo Merchid Arab Neto, gerente da empresa, a principal demanda do setor está atualmente ligada à redução de custos operacionais e à dificuldade de mão de obra nas cozinhas. “Produzir o próprio hambúrguer exige estrutura, tempo e equipe. Muitos empresários preferem terceirizar essa etapa para focar em gestão, atendimento e marketing”, afirma.

A Benny’s oferece hambúrgueres em diferentes gramaturas e níveis de tempero, além de itens complementares como pães brioche, molhos artesanais e empanados. A empresa também passou a atuar como consultora informal de novos empreendedores do segmento.

“Muita gente entra nesse mercado sem experiência. Acabamos ajudando desde a escolha dos equipamentos até a estruturação da operação”, diz Neto.