Programa 'Voa Brasil' entrega apenas 1,7% do previsto

Programa 'Voa Brasil' entrega apenas 1,7% do previsto
Saguão do Aeroporto de Brasília; programa só entregou 52 mil passagens - Marcelo Camargo/Agência Brasil

O programa Voa Brasil, que oferece passagens aéreas por R$ 200 a aposentados, registrou a venda de apenas 52 mil bilhetes entre julho de 2024 e o início deste mês. O volume representa apenas 1,7% dos três milhões de bilhetes prometidos para os primeiros 12 meses de operação. Apesar do fracasso, o governo não tem um diagnóstico claro ou plano para alavancar a iniciativa.

O programa foi pensado em formato que não depende de subsídio público e também não representa custos para as companhias. Mas depende diretamente da vontade das empresas. Isso porque o acordo prevê a disponibilização de passagens ociosas — aquelas que não são vendidas por falta de demanda, resultando em assentos vagos nos aviões.

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que coordena o Voa Brasil, diz não saber quantas passagens realmente foram disponibilizadas. “A participação é voluntária e condicionada à ociosidade dos assentos”, afirmou o ministério em nota. Perguntado, então, qual o número de bilhetes disponíveis em tempo real na plataforma, o MPor não respondeu até a publicação desta reportagem.

Os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que durante os 17 meses do programa cerca de 30 milhões de assentos viajaram vagos em voos nacionais.

Considerando que, nos primeiros 12 meses, foram vendidas pouco mais de 40 mil passagens, o público efetivamente alcançado pode se limitar a cerca de 20 mil pessoas, já que cada beneficiário tem direito a dois trechos por ano. Observando o montante de 52.135 bilhetes ao longo dos 17 meses, apenas 26 mil pessoas podem ter sido alcançadas. Ainda que excedendo o prazo, a meta foi cumprida entre 0,86% e 1,73%.

Questionado sobre qual seria o diagnóstico para o baixo número de passagens vendidas, o Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que “a adesão ao Programa depende de múltiplos fatores, entre eles o conhecimento da iniciativa por parte do público-alvo e desafios de acesso e familiaridade com os serviços digitais”.

O lançamento oficial do programa levou quase um ano e meio desde que foi anunciado pelo governo, em março de 2023. Nos bastidores, a demora era explicada por representantes das companhias aéreas. Quando finalmente saiu do papel, o que se viu foi um programa já desidratado, com menos beneficiários que o aventado pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

A reportagem perguntou à Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa Azul, Gol e Latam, se o número de assentos disponibilizados ao Voa Brasil é conhecido. Questionou-se também qual a dinâmica de oferta ao programa.