Prefeitura de Rio Preto gasta 30?ima do previsto para custear transporte

Prefeitura de Rio Preto gasta 30?ima do previsto para custear transporte
Movimentação no terminal de transporte coletivo de Rio Preto: manutenção da tarifa terá impacto - Ivan Feitosa/Prefeitura de Rio Preto

A Prefeitura de Rio Preto repassou no último ano R$ 37,7 milhões às empresas que fazem o transporte coletivo na cidade. O valor é 30% superior ao previsto inicialmente no Orçamento do município para todo o ano de 2025.

O montante reservado na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025, primeiro ano de mandato do Coronel Fábio Candido (PL), foi de R$ 29 milhões. O total gasto com subsídio ao transporte coletivo ou por repasses de desequilíbrio contratual foi R$ 8,7 milhões acima do estimado inicialmente.

De acordo com dados do Portal da Transparência, a Prefeitura repassou R$ 25,1 milhões à Circular Santa Luzia e R$ 12,6 milhões à concessionária Expresso Itamarati. A Circular detém a concessão da maioria das linhas de transporte coletivo - 67,8%. A Itamarati opera em 32,2% das linhas.

O montante repassado em 2025 ainda irá aumentar. Segundo a Prefeitura, o pedido das empresas referente a dezembro ainda não foi finalizado. Os repasses são realizados mensalmente. O recurso é vinculado ao Orçamento da Secretaria de Trânsito, conduzida por Ederson Pinha.

A assessoria da Prefeitura afirma que a pasta remanejou recursos (leia ao lado) para suprir a diferença entre o que foi orçado e o gasto efetivado.

O valor destinado ao subsídio em 2024 foi de R$ 29,5 milhões, de acordo com dados do Portal da Transparência.

Subsídio

O subsídio ao transporte coletivo - repassado pela Prefeitura - foi criado na gestão do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), atualmente deputado estadual. A norma, estabelecida por lei, foi mantida na gestão de Edinho Araújo (MDB).

Dados previstos no Orçamento deste ano, o segundo do mandato do Coronel Fábio Candido, mostram que o valor reservado para 2026 também deve ser "extrapolado" ao longo dos meses. O Orçamento, elaborado pelo governo do Coronel Fábio Candido, e aprovado na Câmara, reserva R$ 28,7 milhões ao subsídio.

Os rapasses são feitos para a Prefeitura "absorver" parte do valor da tarifa de transporte coletivo. Atualmente, o valor da tarifa técnica, o custo real da passagem de transporte coletivo, é de R$ 7,80. Já o preço cobrado de quem usa o sistema é de R$ 5 para pagamento no cartão e R$ 5,50 para pagamento em dinheiro. A diferença é bancada pela Prefeitura por meio do subsídio ao transporte coletivo.

SEM REAJUSTE

Neste ano, assim como ocorreu em 2025, a tarifa cobrada aos passageiros não terá reajuste, de acordo com a Secretaria de Trânsito. Já o valor da tarifa técnica deve ser reajustado. A inflação oficial do País fechou o ano em 4,26%. Se for aplicado esse percentual, o valor pode ficar entre R$ 8,10 e R$ 8,15. A assessoria da Prefeitura afirmou na última sexta, 10, que não há previsão de quando irá ocorrer definição sobre a tarifa técnica. Nesta terça, 13, o posicionamento foi mantido. O contrato de concessão prevê reajuste em 1º de janeiro. No ano passado, o valor foi definido em fevereiro, com efeitos retroativos ao início do mês anterior.

Extra

Aumento da tarifa técnica irá resultar em mais despesas para subsídio. Ao manter o valor no ano passado, o governo chegou a informar que o total de subsídio ficaria em R$ 35 milhões. Contabilizado o ano, porém, o valor ficou acima desse montante.

Entra também na conta de despesas extras do transporte coletivo o custo para a "tarifa zero". A medida foi adotada aos domingos a partir de julho com previsão de custo mensal de R$ 300 mil. A medida foi estendida das 18h à meia-noite entre 5 e 24 dezembro.

De acordo com a assessoria da Prefeitura, estudos para ampliar o modelo de tarifa zero estão a cargo da Secretaria da Fazenda.

Fórmula

A fórmula prevista no contrato de concessão, assinado em 2011 e prorrogado dez anos depois, após aprovação na Câmara, leva em conta desde a inflação até o número de passageiros pagantes transportados, além de despesas com insumos, como combustível, manutenção da frota e custos operacionais.

Governo faz remanejamento 

 

A assessoria da Secretaria de Trânsito afirmou que a pasta fez remanejamento de recursos para ampliar repasses às concessionárias responsáveis pelo transporte coletivo em Rio Preto. "O recurso adicional foi obtido por remanejamento da própria Secretaria de Trânsito, conforme a legislação vigente", afirma o texto. Não foi detalhado de qual programa previsto inicialmente o recurso foi remanejado.

De acordo com a assessoria, os valores disponíveis no Portal da Transparência referem-se ao período de janeiro a novembro de 2025. "As concessionárias ainda não protocolaram o pedido de subsídio e de eventual reequilíbrio referente a dezembro, motivo pelo qual há empenhos ainda não pagos. Após a formalização e análise dos pedidos, os valores poderão ser quitados conforme a legislação", afirma a assessoria.

Segundo a Prefeitura, o município pagou R$ 20,1 milhões à Santa Luzia de subsídio e R$ 4,7 milhões por desequilíbrio contratual. No contrato com a Expresso Itamarati, o valor de subsídio foi de R$ 9,5 milhões, mais R$ 2,8 milhões por desequilíbrio. O contrato prevê, por exemplo, que a Prefeitura irá assumir o "risco de redução da quantidade de passageiros (68 mil pagantes)". Neste caso, deve ser adotado o equilíbrio econômico-financeiro.