Acordo Mercosul-UE inicia fase de negócios para a agropecuária brasileira
O agronegócio brasileiro passa a contar com a abertura de mercado para a União Europeia com o acordo de livre comércio, promulgado no dia 17 de março pelo Congresso Nacional, e que entrou em vigor provisoriamente no dia 1º de maio. A medida elimina as tarifas de importação de 80% dos produtos agropecuários que o bloco europeu compra do Brasil. Na região Noroeste, o acordo favorece a cadeia produtiva de uva, laranja, limão e carne bovina, além de outros itens.
O acordo prevê ainda a redução gradual das tarifas de importação, em prazos variáveis de quatro a 10 anos, dependendo do produto. “Representa um momento histórico para o agronegócio brasileiro, com um ponto importante, que é eliminar as tarifas dos alimentos exportados para a União Europeia. Um dos setores beneficiados é o de frutas que entram no bloco com alíquota zero”, afirmou Omar Jorge Sabbag, professor de economia da Unesp de Ilha Solteira.
O professor destacou que todo pacto comercial resulta em aspectos positivos e negativos, com oportunidades para as exportações, mas existem desafios como a sustentabilidade e a rastreabilidade dos produtos brasileiros. “A expectativa disso tudo é que vai gerar mais empregos e renda no campo, ampliando as ofertas e o faturamento para o produtor”, pontua.
Impostos
Para a fruticultura brasileira, o acordo Mercosul-UE deve beneficiar de imediato a uva, como a produção na região de Jales, no Noroeste Paulista. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), a uva passa a contar com tarifa zero de importação para o mercado da União Europeia.
Outros produtos da agropecuária que fazem parte da medida terão redução de impostos com cotas de exportação, como, por exemplo, a carne bovina. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, o acordo é positivo para a carne bovina brasileira, principalmente por melhorar as condições de acesso ao mercado europeu.
“A nova cota de 99 mil toneladas será dividida entre os países do Mercosul, escalonadamente ao longo de cinco anos. Ainda assim, é importante destacar que isso não representa um aumento automático nas exportações, porque parte desse volume já é comercializado hoje e passará apenas a ter uma condição tarifária mais favorável”, ressaltou.
Perosa acrescentou ainda que o acordo possibilita avanço relevante do ponto de vista comercial, ampliando oportunidades e melhorando a competitividade do agronegócio. “No entanto, a medida não altera estruturalmente o perfil das exportações brasileiras, que seguirá concentrado principalmente na Ásia, no Sudeste Asiático e nas Américas, mercados que hoje absorvem volumes muito maiores.”
Região deve ganhar mais espaço com acordo
Na produção de frutas do Noroeste paulista, a avaliação dos fruticultores é que o acordo favoreça o campo com o livre comércio firmado entre os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e 27 países da União Europeia. Entre as frutas cultivadas na região, como limão, laranja e uva, os produtores afirmam que a ampliação de mercados impulsiona o setor.
Diante do cenário de que, de imediato, 39% dos produtos agropecuários brasileiros passam a ter tarifa zero — especialmente os alimentos que já estão presentes no mercado internacional —, a uva é uma das frutas que será beneficiada.
Nos pomares da região de Jales, a produção de uva tem concentração importante para o Noroeste paulista, apesar de o mercado interno absorver a maioria da fruta cultivada pelos fruticultores. Atualmente, o Nordeste brasileiro é o principal exportador de uva ao mercado internacional.
“A tendência com o acordo Mercosul-UE é favorecer a nossa produção no campo, mesmo que o Vale do São Francisco, no Nordeste, exporte mais a fruta em relação a estados como o Paraná e São Paulo. Porém, quando a exportação da uva tem alguma dificuldade, essa produção é direcionada para o mercado interno, o que provoca mais competitividade na região de Jales”, explica Fábio Friozi. (CC)
Mercado europeu
A União Europeia é o segundo principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Em 2025, 73% das exportações brasileiras para o bloco estavam concentradas em cinco destinos, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Na citricultura brasileira, o mercado europeu já é o principal fornecedor do suco de laranja para o bloco, responsável por mais de 60% das importações europeias. A estimativa é da Associação Nacional da Indústria Exportadora de Sucos Cítricos (CitrusBR), que considera o acordo favorável para exportadores, importadores e consumidores, o que é ainda mais relevante em um cenário desafiador de preços baixos enfrentado pelo setor agora.
A expectativa dos citricultores com o bloco europeu pode trazer benefícios também para o agronegócio do Noroeste paulista. Segundo o produtor José Claudio Ruiz, de Rio Preto, o mercado da União Europeia para a exportação brasileira do suco de laranja sempre é muito importante.
“Caso se confirme que exista um maior volume de suco de laranja que estava em negociação para o fluxo maior da venda da bebida, apesar de valores não tão expressivos, os citricultores têm a expectativa de aumento dos negócios”, afirmou José Claudio. (CC)
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O fruticultor Fábio Friozi, de Jales, tem expectativa de mercado favorável para a uva

Redação 



