Ano novo, novos fios
Por muitos anos, o início de um novo ano esteve associado a promessas ligadas à alimentação equilibrada, prática de exercícios e melhora da qualidade de vida. Em 2026, esse movimento se amplia e alcança também os cabelos. A busca deixa de ser apenas por mudanças visuais imediatas e passa a priorizar saúde, bem-estar e escolhas mais conscientes, uma tendência que ganha ainda mais relevância neste mês, em que se celebra, no dia 19, o Dia do Cabeleireiro.
ALÉM DA ESTÉTICA
Profissionais do setor confirmam que o comportamento dos clientes mudou e que o salão de beleza passou a ocupar um espaço que vai além da estética. Hoje, é também um lugar de orientação, escuta e cuidado contínuo.
Para o cabeleireiro Rique Mano, profissional de beleza, embaixador da Schwarzkopf e proprietário do HM Beauty Lounge, em São José do Rio Preto, a grande mudança está no olhar para o cabelo como um reflexo de saúde. “Em 2026, o maior destaque é a saúde capilar como prioridade, não só a estética. O cuidado deixa de ser apenas com o fio e passa a incluir o couro cabeludo, a prevenção de danos e a manutenção a longo prazo”, explica.
Segundo ele, a rotina dos clientes se transformou de forma significativa nos últimos anos. “A rotina dos clientes muda porque ela fica mais consciente e consistente: menos excessos, menos processos agressivos e mais cuidado contínuo. O cabelo bonito deixa de ser um resultado pontual e passa a ser consequência de uma rotina bem orientada”, afirma.
Nesse novo cenário, o papel do cabeleireiro também se redefine. Mais do que executar técnicas, o profissional passa a atuar como um educador. “O cabeleireiro assume um papel muito mais educativo. Em 2026, a orientação é baseada em diagnóstico, personalização e constância”, afirma Mano. “A gente ensina o cliente a cuidar do cabelo no dia a dia, a entender o próprio fio, a usar os produtos certos e a respeitar o tempo do cabelo. O foco sai da transformação imediata e vai para resultados mais naturais, saudáveis e duradouros — com menos correção e mais prevenção.”
MAPEAMENTO
A personalização do atendimento também é um ponto central no trabalho de Silvio Amaral, do Bioma Laces, em Rio Preto. Ele explica que, quando um cliente chega ao salão pedindo “um cabelo novo”, o processo começa muito antes da tesoura ou da química. Existe todo um processo. Primeiro, a equipe pede para a cliente preencher uma ficha. Nessa ficha, Amaral consegue ter várias informações: quais químicos já existem nesse cabelo, qual hábito ela tem, se costuma secar ou não secar o cabelo.
Esse mapeamento inicial ajuda a construir um resultado alinhado à realidade da cliente. A partir daí, Silvio Amaral faz questão de ouvir. “Depois de avaliar tudo, eu pergunto: ‘O que te trouxe até aqui?’. Independente de moda, de tendência, eu gosto de ouvir o que a cliente sente no coração. A partir do que eu ouvi, das informações que coletei, do estilo de vida e do que já está na ficha, eu começo a pensar: se seca ou não seca, porque eu preciso pensar se esse cabelo pode ser mais elaborado ou mais prático.”
O objetivo, segundo Amaral, é criar uma beleza possível e sustentável. “Então, é sempre entender como é a vida dessa pessoa, para que esse cabelo não seja bonito apenas no espaço de beleza, mas que seja bonito no dia a dia dela. Que seja uma beleza muito além daquilo que a gente vê no espelho.”
ACOLHIMENTO
Essa relação próxima transforma o salão em um espaço de acolhimento, onde o cuidado com os cabelos se conecta diretamente ao bem-estar emocional. “O cabelo vai muito além da estética, vai muito além do espelho”, afirma Amaral “É uma relação onde eu consigo ouvir as pessoas e, junto com elas, criar um roteiro: como lavar, quando colorir, quando não colorir, quando não precisa colorir.”
O ambiente também faz parte desse processo. “Existe toda a questão da atmosfera: música baixa, pouca luz, olho no olho. Isso faz com que a cliente entenda o quanto ela é linda, independente do cabelo. Às vezes, eu atendo clientes que estão passando por processos delicados, como perda de cabelo ou tratamento do couro cabeludo. Às vezes é uma gestante, uma puérpera, no pós-parto, com queda de cabelo.”
Para o profissional, acolher é parte essencial do trabalho. “É sempre acolher essa mulher no momento que ela está vivendo, porque a vida é feita de ciclos. A gente nunca sabe em que lugar vai estar. O meu papel é ouvir, é abraçar e trazer essa cliente para o nosso universo, um universo de cuidado e carinho. Isso faz com que a parceria se torne leve.”
Em um mercado cada vez mais competitivo, Silvio Amaral acredita que o diferencial está na conexão humana. “Tenho clientes de vinte e poucos anos que já passaram por várias marcas. Isso mostra que tudo está além da marca. Está conectado com emoção, sentimento, respeito e com a forma como você faz essa pessoa se sentir bem. Lá no Bioma, quando ela entra, ela se sente bem por causa da natureza, dos elementos, dos aromas. Muitas vezes ela diz: ‘Hoje eu quero só um dia para ficar aqui’. Às vezes nem quer fazer cabelo, só quer conversar. Isso é muito bacana. Esse respeito, essa vontade de estar próximo, essa troca, é o que constrói tudo isso.”

Silvio Amaral

Redação 



