Documentário que acompanha reconstrução Favela Marte estreia neste sábado, 18, em Rio Preto

Documentário que acompanha reconstrução Favela Marte estreia neste sábado, 18, em Rio Preto
A proposta surgiu da tentativa de entender o que aconteceu depois do fim das obras, uma etapa pouco registrada - Reprodução

A reconstrução de uma comunidade não termina quando a última parede é levantada. É depois da obra pronta — no cotidiano, nas relações e nas memórias — que começam as histórias que raramente ganham espaço. É esse intervalo, quase invisível, que o documentário “Favela Marte – Um Documentário Periférico!” se propõe a revelar.

O filme estreia neste sábado, 18, com exibição presencial ao meio-dia, no Instituto Mulheres de Marte, e lançamento online às 20h, no YouTube @cinemarefilmes. Antes disso, o projeto promove oficinas gratuitas de audiovisual, às 8h e às 10h, voltadas a moradores da comunidade.

Idealizado e dirigido por Marcelo Araújo, o documentário acompanha o processo de reconstrução das 239 casas que hoje abrigam 743 pessoas. A proposta surgiu da tentativa de entender o que aconteceu depois do fim das obras — uma etapa pouco registrada, mesmo após a repercussão do projeto Favela 3D.

“Eu acompanhei o processo desde o início. Em 2022, quando o projeto ainda era apenas uma ideia, executei um documentário com alguns moradores e, desde então, registrei todo o processo: a construção das casas, o período nas moradias provisórias e a entrega definitiva. Senti a necessidade de continuar contando essa história”, afirma.

A motivação também passa pela forma como as pessoas consomem informação hoje, segundo o diretor. “Eu acredito que, devido ao advento das redes sociais, as pessoas têm vivido cada vez mais dentro de suas bolhas. Estar em contato com outras realidades gera empatia, consciência e nos torna mais humanos”, diz.

A produção foi realizada com recursos do Prêmio Nelson Seixas, da Secretaria Municipal de Cultura, e contou com apoio do Instituto Mulheres de Marte, que atua diretamente no território. A escolha dos participantes buscou diversidade de perfis, reunindo diferentes idades, gêneros e trajetórias.

Mais do que um registro, o filme se constrói como ferramenta de formação. A proposta envolve os próprios moradores na criação audiovisual, por meio de oficinas e workshops que incentivam o desenvolvimento de narrativas próprias.

As atividades estão divididas em dois momentos: pela manhã, às 8h, crianças participam de uma introdução ao audiovisual com uso de celular; às 10h, empreendedores do bairro recebem orientações sobre comunicação digital aplicada aos negócios.

A ideia é deslocar o papel da comunidade de objeto para sujeito da narrativa — algo que, para o diretor, ainda é raro.

“As comunidades periféricas já são apagadas diariamente pelo preconceito, e isso vai estreitando seu lugar de fala”, afirma.

Ele aposta no potencial de identificação do público com as histórias retratadas. “Tenho certeza que muitas pessoas se inspirarão, irão se identificar em um nível humano e, quem sabe, isso contribua para a construção de uma sociedade mais consciente”, completa.

Com 40 minutos de duração, o documentário traz relatos que atravessam desafios, conquistas e transformações vividas pelos moradores. A produção também conta com recursos de acessibilidade, como legendas e Libras.

* Estagiária sob a supervisão de Salomão Boaventura