Exame de CNH exclui baliza, mas em Rio Preto preocupação é a seta

Exame de CNH exclui baliza, mas em Rio Preto preocupação é a seta
Larissa da Silva Carvalho Afonso, de 24 anos, diz que considera importante o do teste de baliza, que não será mais exigido - Marco Antonio dos Santos 27/1/2026

O Detran tirou a baliza da prova prática para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Errar neste teste, é o terceiro maior motivo de reprovação dos candidatos a motorista em Rio Preto. A maior causa de desaprovação é falta de uso de seta e em segundo, deixar morrer o motor do veículo, durante as provas práticas, realizadas duas vezes por semana, em Rio Preto, mas especialista em trânsito alerta para necessidade de manter o rigor na avaliação para formar bons condutores de veículos e evitar acidentes.

"A baliza é um dos testes mais temido pelos alunos, mas o que mais reprova alunos é não acionar a seta durante conversões, mudanças de faixa. Em segundo lugar é deixar o motor do carro morrer durante a prova. Depois, em terceiro, vêm os erros na baliza", diz Marcio Junio Rodrigues, diretor da associação das autoescolas de Rio Preto.

Seta

Outro instrutor, Claudio Silva, também diz que os novos motoristas erram muito na utilização da seta de sinalização dos carros, o que torna o maior motivo de reprovação nas provas práticas do Detran.

"O que a gente vê muito entre os alunos é falta de atenção deles na condução dos veículos. Chegam até olhar para fazer a conversão da forma certa, sem causar acidente, mas não ligam a seta. Nessa hora o fiscal do Detran reprova o aluno na hora", comenta Cláudio.

Com a mesma opinião, Paulo Silva, também instrutor de autoescola, é até mais rígido com seus alunos, durante as aulas práticas, com relação ao uso da seta, para evitar que eles sejam reprovados nas aulas práticas.

"A nossa maior dificuldade é orientar os alunos que já sabem dirigir, mas não aprenderam usar a seta. Como eles já não têm o costume, mesmo sendo bons de direção, não passam, por não ligar a seta no momento certo", afirma o instrutor.

A alteração do Detran com exclusão da baliza no teste prático, foi publicada na segunda-feira, 26, pelo órgão estadual, após orientação do Conselho Nacional de Trânsito. Porém, desta alteração, no dia da prova prática, os fiscais vão focar mais no uso correto da seta de sinalização. Serão aumentados os trajetos, com mais conversões em avenidas e ruas, durante a avaliação para verificar se o futuro motorista vai acionar a seta no momento correto.

Câmbio automático

Outra mudança implantada pelo Detran e comemorada pelos alunos é a possibilidade de fazer a prova prática em veículos com o câmbio automático, desde que previamente cadastrado junto ao órgão estadual. Mas, não será permitido acionar durante teste, os programas do veículo, como piloto automático, que fazem o carro estacionar sozinho, sem ajuda do condutor.

Entre os candidatos em formação, as alterações geraram surpresa e opiniões divergentes, como da aluna das categorias A e B, (carro e moto), Larissa da Silva Carvalho Afonso, de 24 anos, que até defende a manutenção do teste de baliza.

“Eu acho importante manter porque no dia a dia ajuda muito para estacionar, no supermercado, na igreja. Eu preciso da carta para trabalhar e para levar meu filho”, diz a futura motorista.

Outro candidato, Abner Patrick Lima Silva, 20 anos, que está no processo de preparação para se submeter a prova prática, achou interessante ser possível passar pelo teste no volante de um carro com câmbio automático.

"Bacana poder fazer a prova em carro com câmbio automático. Muitas vezes, a gente até se atrapalha tentando lembrar qual a marcha adequada para trocar. Nisso, o motor do carro morre. E já estava na hora dessa mudança. Muitos carros hoje em dia têm câmbio automático", diz o rapaz que busca sua CNH, para sair da dependência de ônibus para se locomover por Rio Preto.

Alerta

O professor e especialista em trânsito José Félix afirmou que as mudanças podem aumentar o risco nas vias se não houver critérios claros para verificar o preparo dos candidatos. Segundo ele, há décadas a formação de novos motoristas se baseia em exercícios como baliza e garagem, mas não há comprovação de que essas práticas isoladas tornam o trânsito mais seguro.

Para Félix, dirigir é um processo mental que envolve domínio do veículo no ambiente real de circulação e compreensão das regras de segurança. Ele vê risco de que o próprio candidato passe a medir sozinho seu nível de preparo, caso a fiscalização e as avaliações não sejam rigorosas.

O especialista defende que o foco da formação deve ser a educação. “Educação é sempre o centro da formação do motorista. É a educação, não o exame”, afirmou.

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Larissa da Silva Carvalho Afonso, de 24 anos, diz que considera importante o do teste de baliza, que não será mais exigido