Mercado imobiliário começa o ano aquecido em Rio Preto
O mercado de imóveis está aquecido em Rio Preto e as perspectivas para 2026 são positivas. A queda esperada na taxa de juros Selic, atualmente em 15%; a flexibilização para obtenção de crédito e a oferta de novas unidades por parte das construtoras deve fazer com que preço dos imóveis se torne mais atrativo, inclusive daqueles que estão há bastante tempo à venda. Nem as instabilidades inerentes a um ano de Copa do Mundo e, principalmente, eleições, não devem derrubar o volume de negócios.
O bom momento já se traduz em números. De acordo com dados do Índice FipeZAP, em novembro o metro quadrado em Rio Preto foi comercializado a R$ 5,7 mil — uma valorização de 7,54% nos últimos 12 meses.
Informações divulgadas pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Crecisp) apontam uma alta de 32,2% em outubro em relação ao mês anterior, enquanto a assinatura de contratos de locação cresceu 2,5% no mesmo período.
O perfil mais buscado não é desconhecido das construtoras e é nele que elas têm mirado: a maioria das vendas está concentrada na faixa entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, ainda na faixa aceita para financiamento dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. A maior fatia do bolo de casas e apartamentos negociados está na periferia, justamente as regiões nas quais as empresas mais têm lançado empreendimentos, e a maioria das unidades tem dois dormitórios. A Caixa Econômica Federal (CEF) é o banco em que mais compradores fecharam seus financiamentos.
Segundo Thiago Ribeiro, diretor regional do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP), este padrão é bastante procurado por investidores que buscam adquirir imóveis para locação.
“Ao mesmo tempo, no último ano observamos lançamentos de studios, além de apartamentos e casas de três dormitórios”, comenta. “O público local é bastante diversificado, com destaque também para o forte potencial de investimento em loteamentos, especialmente condomínios fechados, que vêm apresentando ótimo desempenho de vendas.”
Embora não haja ainda números oficiais para a perspectiva, Ribeiro acredita que 2026 será um bom ano, com absorção do estoque remanescente e novos lançamentos, principalmente no primeiro semestre. “Vale considerar que será um ano com Copa do Mundo e eleições, fatores que podem impactar o ritmo de vendas em determinados períodos.”
Weslley Baptista, da imobiliária que leva seu nome, lembra que a procura por um novo lar em Rio Preto não se dá apenas por quem já mora aqui, mas também por famílias vindas de grandes centros que veem na cidade uma oportunidade de ter mais qualidade de vida, segurança e moradia com melhor custo-benefício. Rio Preto se destaca entre os grandes municípios brasileiros pela elevada qualidade de vida, pelo forte desenvolvimento econômico e pelos altos indicadores sociais.
“Oferta existe, mas o giro está alto. Imóveis bem localizados, com bom padrão construtivo e preço correto estão sendo vendidos rápido”, diz Baptista. “A compra e a venda estão a todo vapor. Prova disso é o movimento nos cartórios de notas da cidade, praticamente lotados.”
Se a procura é grande, não faltam estratégias por parte das construtoras para atrair o consumidor e mostrar que seu empreendimento tem mais diferenciais. Famílias estão deixando suas casas em bairros e buscando oportunidades em condomínios, que hoje comercializam unidades que já incluem facilidades como forno, micro-ondas, cooktop, ar condicionado e energia fotovoltaica. “Quanto mais pronto e completo o imóvel, maior é a liquidez no mercado”, pontua Baptista.
PRUDÊNCIA
O mercado espera uma redução da taxa Selic, o índice básico de inflação da economia, hoje mantido a 15%. Segundo Thiago Ribeiro, diretor regional do Secovi-SP, além das pessoas físicas, as empresas também devem investir em expansão e novos pontos de venda.
O primeiro semestre deve ser mais aquecido, enquanto a partir de junho o otimismo será substituído por prudência. “A Copa do Mundo tende a desacelerar o ritmo dos negócios, mas o principal fator de incerteza serão as eleições”, analisa.
Isso vale para o segmento comercial. Já o mercado residencial é mais resiliente, uma vez que morar é uma necessidade fundamental. “Este deve seguir um ritmo mais moderado, com uma possível estabilização dos preços”, acredita o especialista.
MOMENTO
Eduardo Trindade, proprietário da ETrindade Imóveis, defende que o melhor momento para a compra de um imóvel é quando a parcela cabe no bolso. “Se a pessoa deixar para amanhã, o preço pode subir, a taxa de juros ser modificada”, explica. O corretor comenta que está já percebendo uma movimentação, por parte dos bancos, de redução na taxa de juros, facilitando o acesso ao crédito imobiliário.
Ele considera que Rio Preto vive um momento propício para os negócios imobiliários. As taxas de juros elevadas forçam quem está vendendo a baixar os preços. “Neste ano de 2025 foram vendidas muitas casas que já estavam no estoque há muito tempo e o proprietário percebeu que se adequasse o valor haveria negócio.”
O mesmo vale para as casas de locação. O começo de ano, quando muitos estudantes das universidades se mudam para Rio Preto e trabalhadores constituem residência na cidade, faz com que a procura seja maior do que a oferta, muitas vezes. Trindade comenta que um cliente está buscando uma casa em condomínio com valor de aluguel de R$ 5 mil e está difícil encontrar.
Essa escassez de ofertas pode jogar os preços para cima. “Eu costumo ver o pessoal pedindo um aluguel mais caro, mas se a pessoa adequar o valor, às vezes um pouco abaixo do mercado, ela consegue ter um cliente mais fiel, que vai conseguir pagar o aluguel e o condomínio e quando der um ano não vai embora”, pontua.

Redação 



