Pesquisa avalia cultivo de tilápia em tanques-rede da região

Pesquisa avalia cultivo de tilápia em tanques-rede da região
Tanque-rede de grande volume, um dos investimentos na região - Divulgação

Segundo maior produtor brasileiro de peixes de cultivo, especialmente de tilápia, o Estado de São Paulo registrou crescimento de 4% em 2025, alcançando 54,17 mil toneladas, apontando o bom desempenho da atividade no Noroeste, onde se concentra o maior número de piscicultores. Para contribuir com essa produção de destaque para o agronegócio, uma pesquisa do Instituto de Pesca de Rio Preto vem avaliando o desempenho dos tanques-rede instalados na região.

A pesquisadora Daniela Castellani, do Instituto de Pesca de Rio Preto — ligado a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo —, explica que o estudo vem atender a demanda do setor, com a avaliação dos tanques-rede de maior volume, impulsionados pelo uso de tecnologia.

“Os tanques-rede desses portes são uma inovação e trazem benefícios para a produção, como, por exemplo, a automatização do sistema para o tratamento dos peixes. Nesta pesquisa, fizemos uma parceria com a empresa Fisher Piscicultura, instalada no reservatório da usina hidrelétrica de Água Vermelha, no rio Grande”, afirmou a pesquisadora.

Produção industrial

Conforme a pesquisadora, esse modelo de tanques-rede atende a produção de tilápia para a indústria, com a demanda maior do volume de peixes produzidos por essas pisciculturas. “Conseguimos acompanhar e validar esses cultivos em tanques-redes de maior estrutura, acompanhando a empresa em várias etapas da produção”.

Entre as principais vantagens dos tanques-rede para grandes volumes da espécie, a pesquisadora aponta maior produtividade, melhor aproveitamento do fluxo natural da água, facilidade de manejo e despesca, além da redução de impactos ambientais. O sistema também permite flexibilidade operacional e cultivo escalonado ao longo do ano.

No estudo, Daniela conta que os pesquisadores analisam ainda a temperatura da água, oxigênio dissolvido, implicando na qualidade da água, além de nutrientes e compostos nitrogenados, como fósforo total, nitrito, nitrato e amônia, analisados em laboratório do Instituto de Pesca.

De acordo com dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), o estado de São Paulo conta com o fortalecimento da produção de tilápia e da agroindústria, que reúne 21 frigoríficos responsáveis por 86% do abate estadual dos peixes.

Os tanques-rede, segundo o IEA, prevalecem nas regiões em que se concentram os grandes reservatórios Em 2024, os tanques-rede na criação de tilápias no estado de São Paulo, totalizaram 12,156 mil unidades, enquanto os escavados somaram 9,802 mil unidades. Em termos de quantidades produzidas, os tanques-rede respondem por mais de 3/4 do total, como apontam os dados do Instituto.

Sustentabilidade na produção de peixes

 

Com capacidade mensal no volume de 300 toneladas de peixe para abate, a Fisher Piscicultura, localizada no município de Riolândia e produção distribuída no rio Grande (reservatório de Água Vermelha) atua com 73 tanques-rede de grande volume. Para a empresa, a pesquisa traz análises importantes quanto à sustentabilidade, já que são tanques — rede de grandes volumes e que considera os efeitos do cultivo de peixes em relação aos aspectos ambientais.

A tecnologia, dos tanques-rede que são no formato redondo, foi desenvolvida pela empresa, que também é parceira do projeto de pesquisa do Instituto de Pesca. “Hoje estamos com 73 tanques-rede de grande volume. Todos eles são dotados com o sistema de tecnologia da Fisher, no cultivo de peixes e, isto implica em maior eficiência e qualidade das espécies”, pontua o gerente da empresa, Claudio Masocatto.

Ele afirmou que a parceria com o Instituto de Pesca tem sido importante para a produção dos peixes. “Temos com os pesquisadores uma troca de informações que, muitas vezes, nos auxilia em decisões a serem tomadas, principalmente nas questões ambientais, como a qualidade da água e de sedimentos”, ressaltou.

Quanto à produção para abate, Claudio explicou que o volume mensal, atualmente, registra 200 toneladas mensais. No entanto, para o segundo semestre deste ano, o gerente disse que a previsão é de aumento no povoamento de peixes, elevando o abate para 300 toneladas por mês.

Claudio destacou ainda que a produção dos peixes in natura está crescendo e os preços pagos aos produtores também estão melhorando. “Os baixos estoques de peixes prontos para abate, na cadeia produtiva, com peso aproximado de 1,0 kg, de maneira geral é o que acarreta a alta procura, como consequência há um aumento do preço”. (CC)

Cultivo em tanques-redes

 

Na criação em tanques-rede, os peixes ficam confinados em estruturas flutuantes fechadas com tela ou malha, permitindo a produção em ambientes aquáticos diversos, como os reservatórios de usinas hidrelétricas e açudes de grande porte, onde não é viável criar peixes soltos.

Nos tanques-redes monitorados pelo Instituto de Pesca e de propriedade da empresa Fisher, as estruturas se diferenciam, com um formato redondo, sendo fabricado com materiais resistentes de alumínio e telas de aço inox. Além disso, o tanque é todo automatizado, prevendo a contratação de menor número de funcionários.

Conforme a pesquisadora, no reservatório de Riolândia, a área monitorada pelo Instituto de Pesca possui mais de 70 tanques-rede de 450 m³ e povoados com 2,1 milhões de tilápias. “É uma estrutura que visa atender uma produção comercial em maior escala, o que implica ainda no melhor planejamento do piscicultor para demandas como a da exportação”, afirmou Daniela. (CC)

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Pesquisadores avaliam tanques-rede na produção de peixes da região