Produtores de hortaliças investem em tecnologia no campo
A produção de hortaliças no verão tem alguns entraves para os horticultores, que necessitam de maior eficiência no campo com os plantios nesta época do ano. A procura pelas verduras, especialmente a alface, aumenta de acordo com as temperaturas mais altas, uma aliada do consumidor para uma alimentação mais leve. No entanto, no campo, o calor e as chuvas mais fortes são os maiores desafios para a produção.
Apesar de manejo simples para a produção das folhosas, agrônomos explicam que a alface é uma cultura sensível e requer atenção maior dos produtores na condução dos plantios. Neste sentido, há o maior investimento no aumento de produtividade e no uso de tecnologias para o setor de hortaliças em todo o estado de São Paulo, que concentra a maior produção nacional de alface.
Há 15 anos na produção de hortaliças em Neves Paulista, na região de Rio Preto, a família de Estefânia Matias resolveu investir no sistema de hidroponia, que tem maiores ganhos de produtividade, além de outros manejos, do que em relação à horta cultivada no solo.
“Estava muito difícil para o meu pai, que cuidava da produção de hortaliças, plantar no chão. Então, depois que me formei e já estava trabalhando como engenheira civil, resolvi ajudar meu pai com a horta. E para isso, investimos nas bancadas de hidroponia”, conta Estefânia.
Investimentos no campo
Estefânia e o pai, Luiz Matias, possuem 90 bancadas para a produção de verduras hidropônicas, totalizando 35 mil plantas, adquiridas em 2019. Neste ano, a família fez novos investimentos, em mais um telado para proteger as hortaliças das altas temperaturas. “Já gastamos R$ 10 mil com mais um telado porque em dezembro as temperaturas estavam muito altas. A tela é mais uma proteção”, explica a produtora.
Conforme o diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), Manoel Oliveira, a cadeia de folhosas tem passado por um processo de profissionalização e investimentos nos últimos anos, estimulando a produção em maior escala.
“O avanço tecnológico está contribuindo para o aumento da produtividade com o cultivo protegido e para a redução de perdas e rupturas no fornecimento ao varejo”, afirmou Manoel.
No cultivo de hortaliças no sistema hidropônico, Estefânia garante a maior uniformidade das verduras, uma exigência do mercado, além de menor perda com solo encharcado e ciclo mais curto de produção. Ela cultiva seis tipos diferentes de alfaces, além de agrião, rúcula, almeirão e outras folhosas. “A hidroponia também é mais sustentável e demanda menos mão de obra”, pontua.
Chuvas aumentam risco para ataque de doenças
O período de chuva, associado com as altas temperaturas comuns ao verão, contribui para o aparecimento de doenças e pragas, além de o desenvolvimento das plantas não ocorrerem eficientemente. Neste contexto, os produtores comentam que os preços pagos pelo consumidor é um pouco maior por conta de uma oferta menor das hortaliças.
Nos cultivos das hortaliças de Thiago Nasser Toschi, no sítio em Neves Paulista o sistema adotado pelo produtor é o da produção orgânica, sendo que ele tem as plantações no solo. “Nesta época o desenvolvimento das hortaliças fica mais lento, muita chuva atrapalha, como os temporais que estragam a verdura. É mais crítico e tem alguns entraves no setor de hortaliças com o verão, como, por exemplo, as doenças”, ressaltou.
O aparecimento de doenças exige maior atenção dos horticultores. Nas plantações de Edivânia, os fungos tomaram conta da plantação e prejudicou 90% das verduras. “Foi o pior mês de janeiro que tivemos para as verduras, com a chuva que atrai mais a infestação de fungos e pragas. Tivemos que descartar muitas hortaliças”, conta a produtora. (CC)
Liderança na produção
O estado de São Paulo é o maior produtor e consumidor nacional de alface. De acordo com dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) - órgão da Secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento-, em 2025, foram cultivadas mais de 220 mil toneladas da hortaliça, o que representou valor estimado de R$ 947 milhões.
Conforme a pasta, o estado paulista também foi pioneiro na implantação e tornou-se o maior produtor hidropônico de alface. Esse tipo de produção utiliza técnicas como fazendas verticais e estufas para cultivo sem solo, com o melhor uso de água e espaço disponível, modelo que vem sendo adotado principalmente por pequenos produtores rurais.
Outra vantagem para os produtores de hortaliças é a participação nas políticas públicas, com o fornecimento dos alimentos da agricultura familiar para as instituições, como a merenda escolar. Segundo a Secretaria de Agricultura, o estado de São Paulo é o maior comprador de folhosas cultivadas pelos agricultores em diversas regiões.
No ano passado, foram adquiridas mais de 80 toneladas, movimentando cerca de R$ 800 mil através do Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS). Os produtos são destinados a escolas, universidades e unidades prisionais, conforme dados da pasta.
Na comercialização regional dos alimentos da Estefânia, as verduras também são direcionadas para a Prefeitura de Neves Paulista, com o fornecimento para a merenda escolar. Ela também vende hortaliças e legumes para supermercados, além de restaurantes e cafeterias de Rio Preto. (CC)

O produtor Thiago Nasser Toschi cultiva hortaliças no sistema orgânico

Redação 



