Exposição “A Arte de Curar propõe um encontro raro: arte e medicina
Entre o gesto técnico de quem tenta salvar o corpo e o impulso sensível de quem traduz o que não se vê, a exposição “A Arte de Curar”, do Movimento SerTão, propõe um encontro raro: arte e medicina dividindo o mesmo território.
A partir de 23 de abril, no Riopreto Shopping, 25 artistas de Rio Preto e região apresentam obras que ampliam a ideia de cura para além do físico, alcançando também memória, emoção e percepção.
Após a exposição no Riopreto Shopping, a mostra segue para o Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, 8 de maio a 8 de junho. Na sequência, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São José do Rio Preto recebe as obras no período de 18 a 22 de junho, como parte das comemorações dos 100 anos da instituição.
A exposição “A Arte de Curar”, do Movimento SerTão, conta com apoio do Diário da Região, Revista Bem-Estar, Riopreto Shopping, APM - Sociedade de Medicina e Cirurgia de São José do Rio Preto, Associação Paulista de Medicina - Regional de São José do Rio Preto, FAJ Empreendimentos e Pagu Alimentos.
PONTOS EM COMUM
Com coordenação assinada por Luciane d’Alessandro e Patrícia Buzzini, a mostra parte de um ponto em comum entre duas áreas que, à primeira vista, parecem distantes. A curadoria é assinada por Oscar D’Ambrosio e a expografia por Josiani Sabino.
“A arte e a medicina têm bem mais contato do que se pode imaginar numa analogia apressada e superficial dessas duas atividades. Muitas vezes, ambas tendem a ser vistas de forma reducionista, o que não é bom para nenhuma delas. Este projeto busca adensar o contato entre ambas”, afirma D’Ambrosio.
O projeto ganha força ao considerar a medicina contemporânea como um campo cada vez mais interdisciplinar, voltado não apenas ao tratamento, mas também à prevenção e à compreensão integral do indivíduo — um cenário em que discussões sobre saúde mental e bem-estar ampliam o debate para além do físico.
É nesse ponto que o projeto se ancora, ao propor uma aproximação entre práticas clínicas e experiências sensíveis, segundo Luciane D’Alessandro.
“‘A Arte de Curar’ é uma exposição que celebra a interseção entre a medicina e a arte, destacando como ambas podem se complementar na busca pela cura e pelo bem-estar. Comemorando os 100 anos da Sociedade de Medicina, esta exposição é um tributo à paixão e dedicação dos profissionais da saúde. A arte e a medicina compartilham uma relação profunda e ambígua. Enquanto a medicina busca curar o corpo, a arte cura a alma. Juntas, elas nos lembram de que a cura vai além do físico, abrangendo o emocional e o espiritual”, diz.
Para Luciane, tanto a arte quanto a medicina tentam a mesma coisa: entender o invisível. “O médico olha uma radiografia e enxerga a vida por dentro. O artista olha a dor e traduz em cor. Os dois estão tentando curar — um com ciência, outro com sentido. A exposição junta esses olhares”, diz.
“Outra coisa interessante é que se olharmos a história podemos observar uma ligação muito grande entre a arte e a medicina. Desde o Renascimento, arte e medicina andam juntas. Da Vinci dissecava corpos para desenhar melhor. Médicos usavam ilustrações anatômicas que eram obras-primas. A ideia surgiu para resgatar esse diálogo: a medicina é técnica, mas também é interpretação. Igual à arte. A conexão entre arte e medicina é antiga — as duas lidam com corpo, dor, cura e o que é humano”, completa Luciane.
PAUSA E ESCUTA
A dimensão mais introspectiva da mostra aparece na leitura de Patrícia Buzzini, que enfatiza a arte como espaço de pausa e escuta. “Na exposição ‘A Arte de Curar’, as obras nos convidam a olhar para dentro — para aquilo que precisa ser revisto, cuidado e, sobretudo, ressignificado. Cada trabalho instaura um tempo de pausa e de escuta, no qual imagem, matéria e gesto se tornam linguagem sensível da experiência humana. A exposição não propõe respostas prontas, mas abre um novo campo de experiências”, explica.
Para Patrícia, o público pode esperar uma exposição surpreendente, que aproxima arte e medicina a partir de diferentes linguagens e poéticas. “As obras convidam a pensar a cura de forma ampliada — como um processo que envolve corpo, mente e emoções — e propõem uma experiência que vai além do olhar, estimulando percepção e reflexão”, explica.
“Esperamos uma recepção positiva e engajada, com o público aberto a essa proposta de diálogo entre arte e saúde. A ideia é que cada visitante se conecte com as obras à sua maneira e leve consigo alguma reflexão sobre cuidado, bem-estar e qualidade de vida”, ressalta.
A exposição reúne trabalhos em diferentes linguagens, técnicas e suportes, refletindo a diversidade da produção artística local dentro da temática proposta.
“Nesse sentido, um trabalho visual é medicinal pelas infinitas facetas que pode apresentar. Ao gerar efeitos no corpo e no ânimo do paciente, busca a harmonia das pessoas com elas mesmas e com o mundo que as cerca, mostrando que curar é uma arte e que a arte é um dos caminhos para a cura”, finaliza o curador.
Além da mostra, o projeto inclui palestras e workshops que ampliam o debate e aproximam o público dos processos criativos e das reflexões propostas.
Palestras e workshops
Palestra “Que médico sou eu?”, com Oscar D’Ambrosio
Data: 23 de abril, às 20h
Workshop “Execução de caricaturas e bate papo”, com Lézio Jr.
Data: 25 de abril, às 18h30
Pintura ao vivo, com Aícro Jr.
Data: 2 de maio, às 19h
Pinturas Naif e Contemporânea, com Luciane D’Alessandro, Rodrigo Silva e Terezinha Bilia
Data: 2 de maio, às 18h30
Palestra “A arte e suas expressões”, com Nidia Puig
Data: 7 de maio, às 19h
Artistas participantes
Aícro Junior
Araguaí Garcia
Ary Salles
Beto Carrazone
Carlos Bachi
Cibele Felipe
Daniel Firmino
Eliara Bevilacqua
Eloisa Mattos
Jair Lemos
Jane Arroyo
Josiani Sabino
Lézio Jr.
Luciane D’Alessandro
Luis Antônio Cossi
Maria Helena Curti
Patrícia Reis Buzzini
Rodrigo Motta
Rodrigo Silva
Terezinha Bilia
Valdecir Gerotto
Valdenir do Bonfim
Wesley S. Estácio
Thomaz Vita Neto

Redação 



