Granjas da região reforçam medidas sanitárias na criação de frango
Avicultores da região de Rio Preto estão ampliando as medidas sanitárias na produção de frango de corte, especialmente com o controle rigoroso da entrada de pessoas e veículos nos criatórios. O Noroeste paulista concentra o principal polo estadual da cadeia produtiva avícola, reforçando o risco de prejuízos sanitários e econômicos com os focos de Newscastle registrados em granjas do estado de Santa Catarina. A doença pode causar a morte de até 100% dos frangos de um lote.
Nas três granjas do produtor Maicon Blanco Silva, em Neves Paulista, na região de Rio Preto, as medidas sanitárias foram redobradas pelo fato de que na avicultura há um mecanismo dinâmico com circulação constante de caminhões, equipamentos e pessoas entre as propriedades, preocupando os avicultores quando ocorrem casos de doença respiratória, como a Newcastle, apesar da distância entre os estados.
“Mesmo que os focos estejam localizados no oeste catarinense, os produtores do interior paulista também precisam redobrar os cuidados nas granjas. Isso porque se trata de uma doença viral altamente contagiosa, que pode trazer prejuízos importantes para toda a cadeia avícola”, afirmou.
Doença viral
Fernando Buchala, médico veterinário da Defesa Agropecuária de Rio Preto — ligado à Secretaria Estadual de Agricultura — explica que a doença de Newcastle é considerada erradicada no Brasil, sendo a última ocorrência de foco registrada em granja de aves no estado do Rio Grande do Sul, no ano de 2024.
Ele pontua que a doença é altamente contagiosa e transmitida por contato direto entre as aves. “Os sinais clínicos e epidemiológicos são muitos semelhantes aos da Influenza Aviária, sendo que ambas são classificadas como Síndrome Respiratória Aguda das Aves. Somente o diagnóstico laboratorial consegue distinguir os agentes patológicos”, ressaltou.
Segundo o veterinário, as medidas de biosseguridade das granjas comerciais é que podem impedir a entrada dos agentes transmissores. “O primeiro caso em Santa Catarina foi detectado por um sistema de vigilância ativo, que colheu amostras aleatórias, sem notificação de sinais clínicos e os achados laboratoriais foram positivos. Os demais focos também foram detectados em decorrência das investigações, demonstrando que pode haver circulação do vírus entre as granjas ou que aves de vida livre estejam envolvidas na transmissão”, ressaltou Fernando.
O primeiro caso da doença, em Santa Catarina foi confirmado no dia 18 de outubro, sendo o estabelecimento interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, com suspensão da movimentação de aves. Segundo o Ministério da Agricultura, as ações de controle, contenção e erradicação seguirão o Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, assim como nos outros dois focos registrados no estado catarinense.
Comércio internacional
O avanço da doença de Newcastle reflete ainda nas comercializações externas de carne de frango, diante de o Brasil ser o maior exportador mundial da proteína animal e manter forte produção global, impulsionado por recordes de volume e demanda internacional.
De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as vendas externas podem alcançar um recorde histórico de até 5,875 milhões de toneladas em 2026, representando uma alta de até 10,3% em comparação a 2025.
Em relação ao mercado de carne de frango, Maicon comenta que o cenário exige cautela, inclusive na região Noroeste. “Os focos de Newcastle podem provocar restrições comerciais, mesmo quando estão concentrados em um estado brasileiro. Isso preocupa porque uma eventual redução das exportações pode aumentar a oferta no mercado interno e pressionar os preços”.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária as autoridades sanitárias dos países importadores foram comunicadas e apenas o México, até o momento, restringiu as compras do estado de Santa Catarina. O ministro André de Paula destacou também que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro.
‘Blindagem sanitária’ para evitar casos
As granjas de frango de corte, no Noroeste paulista, possuem estrutura sanitária eficiente e com ambiente de alta tecnologia, conforme os produtores e especialistas. No entanto, quando há a circulação de doenças que podem causar a mortalidade das aves, os cuidados com a limpeza nos aviários e na higiene das pessoas que trabalham no local devem ser intensificados.
“A notícia desses casos no Sul do Brasil acendeu um alerta e intensificamos o que chamamos de blindagem sanitária às medidas relativas a todas as doenças”, disse Fábio Berti. Nas granjas de frango de corte, em Tanabi, o avicultor conta com uma vantagem na prevenção de focos semelhantes aos de Newcastle, como os galpões construídos em alvenaria e em ambientes fechados.
Berti destacou ainda que as aves silvestres (de vida livre), consideradas os principais transmissores das doenças respiratórias que afetam os frangos, uma estrutura fortalecida pode significar uma barreira para a entrada do vírus. “Porém, a regra básica é ainda o isolamento das aves, evitando ao máximo a entrada de visitantes nas granjas”.
Para Maicon, além do controle maior na entrada de pessoas nas granjas, o avicultor ressalta ainda o monitoramento diário dos lotes e a comunicação imediata de qualquer suspeita ao serviço veterinário oficial. “Nossa maior preocupação é proteger a sanidade dos plantéis, garantir a continuidade da produção e manter a sustentabilidade econômica das propriedades rurais”, acrescenta.

Na granja de Neves Paulista, Maicon Blanco Silva monitora os frangos

Redação 



