JC Serroni volta a Rio Preto para falar sobre cenografia e trajetória no teatro
Neste sábado, 26, às 14h30, o Ponto de Cultura Império do Sol promove uma palestra com o cenógrafo e figurinista José Carlos Serroni, mais conhecido como JC Serroni, com o tema “A Cultura Popular ao Alcance de Todos”. Com entrada gratuita, o encontro será realizado no primeiro andar do Centro Cultural Daud Jorge Simão e integra o projeto homônimo, selecionado pelo edital da Lei Aldir Blanc.
Nascido em Rio Preto, Serroni é arquiteto e um dos principais nomes da cenografia e do figurino no Brasil. Com quase 50 anos de carreira, marca que será completada no próximo ano, construiu uma trajetória ligada ao teatro, cinema, televisão, shows e exposições, além de atuar na formação de novos profissionais.
A escolha do cenógrafo para a palestra também está relacionada à ligação dele com Rio Preto. Segundo Vicente Serroni, irmão de JC e responsável pelo Ponto de Cultura Império do Sol, a participação do artista no projeto não ocorre apenas pelo reconhecimento de sua carreira, mas também pela relação que mantém com a cidade. “A escolha do JC Serroni, que é um cenógrafo, não é porque meu irmão é mais reconhecido. É porque ele é filho de Rio Preto, então a gente pensou numa figura importante”, explica.
Durante o encontro, JC Serroni pretende apresentar diferentes momentos de sua carreira, trabalhos realizados ao longo das décadas e algumas das premiações que recebeu, inclusive no exterior. A palestra será acompanhada por uma apresentação com cerca de 100 imagens, reunindo projetos desenvolvidos pelo cenógrafo em diferentes áreas. “É um encontro para eu falar de várias coisas da cenografia, de teatro, de cinema, de shows, de exposições. Eu mostro exemplos de tudo isso, vou passar uma apresentação de quase 100 imagens para mostrar, porque nada como ver, né”, afirma Serroni.
A relação do cenógrafo com Rio Preto começou ainda antes de sua carreira profissional ganhar projeção nacional. Vicente conta que acompanhou os primeiros passos do irmão na cidade, quando ele participou de atividades teatrais que antecederam o atual Festival Internacional de Teatro de Rio Preto (FIT). “Ele participou do começo do Nacional de Teatro aqui na Basílica de Rio Preto. E essa participação dele aqui é que levou até essa carreira, que ele escolheu, e foi embora para São Paulo e lá ele se especializou, lá ele trabalhou com os melhores cenógrafos da época.”
Para JC Serroni, a ligação com a cidade permanece marcada por uma espécie de gratidão. Foi em Rio Preto que seu interesse pelas artes começou, inicialmente pela pintura, até chegar ao teatro e à cenografia. “Eu comecei em Rio Preto. O teatro, para mim, surgiu aí. A pintura. É um lugar pelo qual eu tenho um apreço; eu diria que eu tenho uma dívida com a cidade, de poder mostrar um pouco do que eu faço e de que forma eu faço, como é meu processo de trabalho, em que áreas da cenografia eu atuo”, conta.
A formação de novos profissionais é uma das áreas às quais o cenógrafo também dedica parte de sua trajetória. Serroni é um dos fundadores da SP Escola de Teatro, onde coordena os cursos de Cenografia e Figurino e de Técnicas de Palco, voltado à formação de técnicos de teatro. A instituição oferece formação gratuita e já reúne cerca de 400 alunos.
Para o público, a proposta da palestra é justamente aproximar a cenografia de quem não está familiarizado com a área. “Nós estamos levando esse conhecimento para todo tipo de público. Não só de teatro, mas também para pessoas de bairros periféricos que nós estamos convidando para participar. E a gente espera que, além de eles conhecerem esse cenógrafo famoso, que muita gente não conhece, também conheçam o que ele fez, as premiações dele, como ele ganhou o maior prêmio de cenografia mundial. E ter assim um contato com ele”, ressalta Vicente.
“Espero que, pelo menos, eles venham para me ouvir. Segundo, depende do público. Eu acho que, para o leigo, é sempre uma curiosidade. E se ele vai ver cenários que aparecem Fernanda Montenegro, Lílian Cabral, Antônio Fagundes, gente de novela. E isso pode ser bacana”, completa JC Serroni.
Mais do que apresentar trabalhos conhecidos, o cenógrafo espera que a conversa possa servir de inspiração para quem já está envolvido com as artes ou pensa em seguir uma carreira na área. “Para o pessoal que está mais envolvido com o universo teatral ou das artes, espero que aquilo que tenho para contar sirva de inspiração e de estímulo; que entendam qual o significado da cenografia para o ator, como ele se relaciona com o cenário. Se pegarem um pouco disso tudo, eu já saio contente”, afirma.
Estagiária sob supervisão de Salomão Boaventura

Redação 



