Borracha natural valoriza produção do agronegócio na região
Os seringais do Noroeste paulista concentram a maior produção nacional de borracha natural e atingiram maior valorização de produtos escoados, principalmente para a fabricação de pneus, na safra anterior. Apenas na região de Rio Preto, que abrange 96 municípios, o aumento de borracha atingiu 33,7% em 2025, com R$ 988 milhões de Valor de Produção Agropecuária (VPA), liderando o ranking da cultura no estado de São Paulo.
Esse desempenho da borracha, entre os principais produtos da agropecuária de Rio Preto aponta o aumento de seringueiras aptas para a sangria (coleta) do látex. Segundo o presidente da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), Fábio Magrini, a árvore começa a produzir a partir do quarto ano de cultivo, com produtividade maior após seis anos, o que eleva o volume de lucratividade para o produtor.
“Apesar do cenário de desafios enfrentados pelo setor, esse cálculo está relacionado ao número maior de seringueiras das propriedades rurais da região que vão, a cada ano, aumentando a abertura de painéis para maior volume de sangria de borracha. Em 2025, o preço da commodity também estava mais estável em relação a safras anteriores”, pontuou.
Dados do IEA
O levantamento sobre o VPA é do Instituto de Economia Agrícola (IEA), ligado a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, colocando a região de Rio Preto com posição de destaque no agronegócio estadual e o total de R$ 26,19 bilhões em 2025, aproximadamente R$ 4 bilhões a mais do que Campinas, a segunda região com o maior VPA no último ano. Em 2024, São José do Rio Preto já era destaque no VPA, ocupando a segunda posição em São Paulo, com o valor de R$ 25,24 bilhões.
A safra de borracha na região do Noroeste paulista responde por mais de 65% da produção do Brasil, embora o País não seja autossuficiente nos plantios dos seringais. Para os agricultores, falta incentivo do governo federal em barrar a entrada de pneus importados, o que favoreceria tanto o plantio no campo quanto o setor nacional da indústria e das usinas de beneficiamento do produto.
“A cultura vem apresentando resultados muito positivos. No entanto, esse bom desempenho não tem sido acompanhado pela valorização da borracha natural. O principal fator é a forte entrada de pneus importados da Ásia, que reduziu a produção das indústrias pneumáticas instaladas no Brasil e, consequentemente, a demanda pela borracha nacional”, comenta Fábio Tônus, diretor-executivo da Apabor.
Estoques elevados
Rio Preto, além de concentrar a maior produção brasileira de borracha natural, também responde pelo beneficiamento do produto, com a maior parte das empresas do setor instaladas nas cidades da região. Após a colheita no campo, a borracha precisa passar por essas usinas, responsáveis pelo escoamento da safra às indústrias que fabricam pneus, entre outros produtos manufaturados pelo látex.
A maior pressão dos pneus importados, principalmente os importados da China, afeta a demanda das usinas de beneficiamento, que tem esticado os prazos na compra da borracha dos produtores. Segundo o presidente da Apabor, os estoques das usinas estão lotados de borracha pelo fato de muitas indústrias desistirem de fabricar pneus no Brasil.
“Precisamos de uma providência séria do governo federal com as importações de pneu. Hoje, a commodity no Brasil não acompanha os preços atrativos cotados na Bolsa de Singapura”, afirmou Fábio Magrini. O resultado, segundo o presidente, vem sendo o maior estoque das usinas que não conseguem escoar a borracha para as pneumáticas.
Ele afirmou que a borracha natural é estratégica para a produção agrícola brasileira, assim como ocorre com o petróleo e outros produtos valorizados no País. “Como não temos uma produção autossuficiente, o governo federal não consegue enxergar esse produto como importante para o agronegócio brasileiro”, finaliza. (CC)"Precisamos de uma providência séria do governo federal com as importações de pneu. Hoje, a commodity no Brasil não acompanha os preços atrativos cotados na Bolsa de Singapura "
Safra de clima atípico e atraso na colheita
A safra 2025-2026 na região tem resultado bastante positivos em termos de produtividade, conforme os produtores. No entanto, as mudanças climáticas trouxeram um cenário atípico, com chuvas registradas em junho e julho quando a colheita de látex estava em maior atividade nos seringais. Já no início do ciclo, no final do ano passado, o clima mais seco não contribuiu tanto para o potencial produtivo das árvores.
Os dias de chuva, durante a colheita, atrapalharam o corte das seringueiras para a extração de látex e os produtores tiveram que paralisar o trabalho por conta de excesso de água que fica depositado nas canecas de borracha. “Tive uma queda de 25% na safra com a chuva atípica para a nossa região nesta época do ano”, disse Magrini.
O produtor Gilson Pinheiro conta que precisou de muita técnica e estratégia para a colheita da borracha nesta safra, que deve encerrar o ciclo deste ano na segunda quinzena do mês de agosto. “Essa safra foi de boa produção, apesar de clima desafiador com a chuva, mas quem conseguiu manejar e estimular a sangria conseguiu recuperar a produção acima da média”.
Na avaliação de Fábio Tônus, as condições climáticas foram favoráveis à produção e as chuvas, mesmo que fora de época, contribuíram para manter a produtividade dos seringais. “A principal preocupação do setor está voltada para os próximos meses, diante da previsão de um super El Niño e com a expectativa de que o fenômeno provoque alterações climáticas mais intensas do que as observadas em eventos anteriores”, ressaltou. (CC)

Fábio Magrini, da Apabor, estima aumento de seringueiras produtivas

Redação 



